
Fachada do Edifício Maurício Corrêa, sede da OAB-DF, em Brasília. (Foto: Instagram)
A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) se pronunciou, nesta quinta-feira (30/4), sobre a falta de artistas negros na programação do Festival Melodya, parte do Festival de Música Negra, realizado no último fim de semana em Ceilândia (DF). A entidade considera a situação um exemplo de apagamento cultural.
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“A quase inexistente presença de artistas negros na programação demonstra uma contradição clara entre o discurso e a prática”, afirmou ao Metrópoles Tuanne Costa Silva, presidente da Comissão de Igualdade Racial (CIR) da OAB-DF. Ela destacou que o caso vai além da programação, tratando-se de representatividade, coerência e respeito à cultura negra.
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A exclusão mencionada reflete uma longa história de apagamento. Quando um evento focado na música negra quase não inclui artistas negros, perpetua-se uma lógica histórica de invisibilização que deve ser combatida com responsabilidade. A presidente da Comissão de Igualdade Racial destaca que, embora a pasta não tenha sido formalmente acionada, continua acompanhando a repercussão do caso. Tuanne também comentou sobre as atitudes do cantor Felipe Sales, participante do festival, que fez piadas de teor preconceituoso sobre a situação.
“Embora os conteúdos tenham sido retirados do ar [pelo cantor], isso não elimina a necessidade de analisar a conduta já realizada”, alertou Tuanne Costa Silva. “A recomendação é que as pessoas eventualmente ofendidas procurem um advogado especializado para avaliar as medidas cabíveis no caso”, concluiu.
Conforme relatado pelo Metrópoles, o cantor sertanejo Felipe Sales comentou, em meio a profissionais da cultura negra, que se sentia “um negão”, minimizando a indignação da população. Felipe também publicou, em novembro de 2025, imagens ofensivas ao jogador brasileiro Vinícius Júnior para promover uma música. Após a publicação da reportagem, o cantor removeu os conteúdos.
O Festival de Música Negra, realizado entre 24 e 26 de abril, na Praça da Bíblia, em Ceilândia (DF), criou um subevento chamado Festival Melodya. O Melodya contou com 20 atrações, mas quase nenhuma delas era de artistas negros, contrariando o próprio nome do Festival de Música Negra.
O Melodya teve a participação de artistas renomados nacionalmente, como a cantora Paula Guilherme, os MCs Jhey e Matheuzim, e o DJ Lucas Beat. A funkeira Melody chegou a ser anunciada, mas não se apresentou. Após a divulgação do caso, o perfil do evento no Instagram foi desativado.
O Festival de Música Negra, que está em sua terceira edição, é organizado pela Associação Brasiliense e Promoção à Cultura, Diversidade e Formação do DF (ABC-DF). O projeto recebeu R$ 700 mil de incentivo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab).
Criada em 2022 pelo governo federal, a Pnab destina recursos aos estados e ao DF para fomentar o setor cultural do país. O Ministério da Cultura é responsável por gerenciar a iniciativa.
Em resposta à reportagem, a produtora ABC-DF informou que havia muitos espaços vagos na programação e não possuía recursos financeiros para contratar artistas locais. Assim, firmou-se uma parceria com uma produtora de fora do DF que gerencia a carreira dos artistas mencionados na reportagem. O Festival Melodya, portanto, surgiu dessa parceria.


