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Pai relata últimos momentos de Samuel Coutinho, encontrado morto no DF

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Pai de Samuel, 17, relata angústia após corpo do filho ser encontrado no DF (Foto: Instagram)

Em um depoimento repleto de dor e angústia, o pai de Samuel Coutinho Ferreira compartilhou os últimos momentos em que viu o filho com vida e descreveu os oito dias de buscas sem respostas sobre o paradeiro do adolescente. O corpo do jovem de 17 anos foi descoberto na sexta-feira passada (17/4), em uma construção na área de São Sebastião (DF).

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Samuel deixou sua casa na noite de 9 de abril, cerca de 18h40. Ele informou ao pai que se encontraria com alguns amigos em uma quadra próxima à sua residência.

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Câmeras de segurança capturaram os últimos momentos em que o adolescente foi visto com vida, na madrugada de 10 de abril, no bairro Vila Green. Em algumas imagens, Samuel aparece acompanhado por um casal, caminhando pela região.

“Ele tinha um treino de tênis e uma partida no dia seguinte. Por isso, pedi que ele não saísse e ficasse em casa. Mesmo assim, ele garantiu que voltaria em cerca de duas horas. Por volta das 22h, ele enviou uma mensagem dizendo que estava na casa de uma amiga. Reforcei o pedido para que não demorasse. Essa foi a última vez que tive notícias dele”, relata Jailson dos Santos, 40 anos, pai do adolescente. Ao acordar na manhã de 10 de abril para chamá-lo para o treino, Jailson percebeu que o filho não havia retornado. “Esperei, achei que ele ia estar chegando, mas nada dele. Estranhei porque ele não era de fazer isso”, relembra.

As tentativas de contato começaram ainda pela manhã, sem sucesso. Mensagens não eram respondidas e as ligações não completavam. Por volta do meio-dia, uma ligação chegou a ser atendida, mas foi encerrada imediatamente.

Com o passar das horas e sem qualquer notícia, a preocupação aumentou. O cabeleireiro procurou a delegacia para registrar a ocorrência de desaparecimento. Informações de conhecidos indicavam que o adolescente teria encontrado os amigos, como havia dito ao pai e, depois, seguido para a casa de uma jovem.

A família foi até o endereço da garota, mas encontrou versões contraditórias. Ela afirmou que o rapaz havia saído de lá por volta da meia-noite. Todavia, imagens de câmeras de segurança obtidas posteriormente mostram que Samuel deixou a residência da jovem sozinho durante a madrugada, às 2h05.

Sem pistas concretas, familiares iniciaram uma busca por conta própria, espalhando cartazes e fotos em pontos da região. “Não tínhamos informação nenhuma. Foi uma angústia sem tamanho”, descreve Jailson.

Na sexta-feira (17/4), veio a notícia de que um corpo havia sido encontrado em uma construção na quadra 103 do Residencial Oeste. O pai se dirigiu imediatamente à delegacia, mas foi informado inicialmente de que não se tratava do filho dele.

Porém, ao ver as fotos do cadáver viu que as características batiam com as de Samuel. O adolescente foi identificado pelas roupas que usava ao sair de casa: blusa de manga comprida preta, calça preta e um par de tênis branco.

Jailson critica o atendimento recebido na delegacia e afirma que houve descaso durante as buscas pelo jovem. “Não deixaram eu ver o corpo do meu filho. Não foi nem a polícia que encontrou. Não deram importância”, relata.

Até o momento, segundo ele, não há uma linha clara de investigação. O corpo foi encontrado em uma área próxima à delegacia, o que aumenta a indignação da família. De acordo com o cabeleireiro, o celular do adolescente segue desaparecido, embora ainda estivesse recebendo chamadas e mensagens mesmo depois do corpo de Samuel ter sido encontrado.

Jailson descreve o filho como um jovem alegre, carinhoso e bem-humorado. Praticante de tênis, ele se preparava para seguir carreira profissional, disputava torneios e havia conquistado uma bolsa esportiva.

“Ele estava feliz, ajudando na loja da família, cuidando da irmã. Um rapaz brincalhão, de coração inocente”, lembra o pai.

Sob forte comoção de familiares e amigos, o corpo de Samuel foi enterrado nesse domingo (19/4), no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul.

As investigações estão sendo conduzidas pela 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião). Segundo o delegado-chefe Rooney Matsui, ainda “não há nada de concreto” em relação à morte de Samuel.

“Estamos em campo buscando informações. Ontem mesmo, já cumprimos uma primeira medida cautelar pelo Judiciário. Os objetos apreendidos também estão sendo encaminhados para perícia“, explicou.

O delegado destaca que a ajuda da comunidade também é fundamental para auxiliar nas investigações. Qualquer informação a respeito do caso pode ser encaminhada para o número 197. O anonimato é garantido.

“Esperamos que logo tenhamos notícias, com autor(es) identificados e presos, para assim trazer alguma paz aos familiares”, concluiu.

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