
Maior chacina do DF resulta em 1.258 anos de prisão (Foto: Instagram)
A sentença que condena os cinco envolvidos na maior chacina do Distrito Federal revela detalhes horripilantes sobre a execução de três crianças, com idades entre 6 e 7 anos, da mesma família. Os crimes, ocorridos entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, resultaram em penas que somam 1.258 anos de prisão, conforme decidido na noite de sábado (18/4).
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No documento divulgado na segunda-feira (20/4), o juiz Taciano Vogado relata que as crianças foram mortas com "frieza extrema", inicialmente estranguladas e depois colocadas em um veículo incendiado, tudo com o consentimento dos acusados.
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Dada a crueldade do caso, o juiz classificou as personalidades de Gideon de Menezes, Horácio Carlos Barbosa e Carlomam do Santos como "extremamente frias e perigosas, fora dos padrões mínimos de normalidade". Enquanto os dois primeiros participaram diretamente das mortes, o terceiro colaborou decisivamente para que os crimes ocorressem.
O juiz destacou que os criminosos "têm personalidade desviada do que se espera de um ser humano em sociedade".
“Os acusados, com suas ações, destruíram completamente um núcleo familiar, matando as três crianças, que eram irmãs, além dos pais. Os efeitos de tal ato não podem ser tratados como comuns a qualquer homicídio, pois as consequências são muito mais graves do que a morte isolada de uma única vítima”, afirma a sentença.
Fabrício Canhedo, outro condenado, também foi descrito como "extremamente frio e perigoso", embora sua condenação não inclua as mortes das crianças. O juiz afirmou que ele aderiu ao plano criminoso, desempenhando um papel logístico essencial.
O documento indica que Fabrício "forneceu a arma de fogo usada nos crimes, preparou e geriu o cativeiro das vítimas e participou na destruição das provas". Essas ações, segundo o juiz, também "indicam uma personalidade desviada do que se espera de um ser humano em sociedade".
Rafael, 6 anos; Rafaela, 6; e Gabriel, 7, eram filhos de Elizamar da Silva e Thiago Belchior, ambos também assassinados. Um perito do Tribunal do Júri informou que as crianças ainda estavam vivas quando o veículo foi incendiado, causando suas mortes por inalação de fumaça e carbonização.
QUINTO RÉU
Carlos Henrique Alves da Silva, o quinto réu, não foi condenado por homicídio. Ele recebeu uma pena de 2 anos por participar do sequestro de Thiago Belchior.
Carlos foi liberado no domingo (19/4), após a sentença ser proferida no Fórum de Planaltina, já que ele havia cumprido mais de dois anos de prisão.
Confira os crimes pelos quais os envolvidos foram condenados:
Gideon Batista de Menezes: identificado como o mentor, foi condenado por 10 homicídios qualificados, ocultação de cadáver, corrupção de menores, sequestro, extorsão mediante sequestro, entre outros crimes.
Sua pena total é de 397 anos, oito meses e quatro dias de reclusão.
Horácio Carlos Ferreira Barbosa: considerado o segundo na hierarquia, foi condenado por 10 homicídios qualificados, ocultação de cadáver, corrupção de menores, entre outros crimes.
Ele deverá cumprir 300 anos, seis meses e dois dias de prisão.
Carlomam dos Santos Nogueira: teve participação direta nos sequestros e mortes, condenado por 10 homicídios e outros crimes.
A pena foi estipulada em 351 anos, um mês e quatro dias de prisão.
Fabrício Canhedo Silva: condenado por cinco homicídios qualificados, extorsão mediante sequestro, entre outros crimes.
Sua pena é de 202 anos, seis meses e 28 dias de prisão.
O julgamento, iniciado na segunda-feira (13/4), durou seis dias, sendo o segundo mais longo da capital, atrás apenas do caso conhecido como Crime da 113 Sul.
ENTENDA O CASO
- Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os réus se uniram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã (DF), e extorquir a família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano inicial era matar Marcos e sequestrar seus familiares.
- Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo invadiu a casa da vítima, rendendo Marcos, a esposa e a filha, e roubando cerca de R$ 49,5 mil. As vítimas foram levadas a um cativeiro em Planaltina (DF), onde Marcos foi morto.
- No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas para fornecer senhas de celulares e contas bancárias. Com os aparelhos, os criminosos se passaram pelas vítimas para atrair outros familiares.
- Entre 2 e 4 de janeiro, Cláudia da Rocha e a filha Ana Beatriz foram atraídas e levadas ao mesmo cativeiro.
- O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, atraindo-o ao local em 12 de janeiro. Ele foi rendido e mantido em cativeiro. Com o celular de Thiago, os criminosos atraíram sua esposa Elizamar e seus três filhos.
- Eles foram levados a Cristalina (GO) e mortos. Os corpos foram queimados no carro da vítima. Em seguida, os acusados mataram as outras vítimas para ocultar os crimes.
- Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG) e mortas, tendo os corpos queimados. Posteriormente, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram mortos e os corpos escondidos em uma cisterna.
- Após os crimes, parte do grupo queimou objetos das vítimas para dificultar as investigações.
DISPUTA POR TERRENO DE R$ 2 MILHÕES
Um terreno no Itapoã (DF), avaliado em R$ 2 milhões, motivou os assassinos a planejarem a morte de 10 pessoas. O local possui cachoeira privativa, ampla área de pastagem e cerca de cinco hectares.
O plano era eliminar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar herdeiros. Contudo, o terreno não pertencia à vítima, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, o primeiro a ser morto. A chácara está em disputa judicial desde 2020, com os verdadeiros donos tentando recuperá-la.
Os integrantes da família foram atraídos para emboscadas e mortos um a um. São eles:
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca;
- Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos;
- Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal;
- Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal;
- Elizamar da Silva – esposa de Thiago;
- Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar;
- Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos;
- Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia.


