
Mãos de idoso simbolizam alterações motoras precoces relacionadas ao Alzheimer (Foto: Instagram)
Alterações associadas à doença de Alzheimer podem ter início fora do cérebro. Uma nova pesquisa revelou evidências de que alguns problemas motores observados em pacientes podem ter origem nos nervos responsáveis pelo movimento, além da degeneração cerebral.
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O estudo foi realizado por cientistas da Universidade da Flórida Central, nos Estados Unidos, e publicado na última quinta-feira (16/4) na revista científica Alzheimer’s & Dementia. Os resultados apontam que mutações genéticas relacionadas ao Alzheimer familiar podem afetar diretamente a comunicação entre nervos e músculos.
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O QUE É O ALZHEIMER?
- O Alzheimer é uma doença que afeta progressivamente o funcionamento cerebral, comprometendo a memória e outras funções cognitivas.
- As causas exatas ainda são desconhecidas, mas há indícios de ligação genética.
- É o tipo mais comum de demência em idosos e, segundo o Ministério da Saúde, representa mais da metade dos casos no Brasil.
A descoberta ajuda a entender por que alguns pacientes apresentam dificuldades de equilíbrio e alterações na forma de andar ou problemas de coordenação antes dos sintomas de memória aparecerem.
“Déficits motores podem ser um sinal precoce de Alzheimer. Se conseguirmos identificar essas mudanças mais cedo, pode ser possível intervir antes que o sistema nervoso central seja mais afetado”, afirma Xiufang Guo, uma das autoras do estudo.
ALTERAÇÕES PODEM SURGIR ANTES DOS PROBLEMAS DE MEMÓRIA
O estudo focou no Alzheimer familiar, uma forma rara e hereditária da doença que costuma se manifestar mais cedo, geralmente entre 40 e 65 anos.
Embora a doença seja mais conhecida pelos problemas de memória, médicos observam há décadas que alguns pacientes apresentam alterações motoras anos antes desses sintomas cognitivos.
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Os sinais incluem mudanças no equilíbrio, coordenação e forma de caminhar. A origem dessas alterações ainda não era totalmente compreendida, levando os cientistas a investigar se parte do problema poderia surgir fora do cérebro.
SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO TAMBÉM PODE ESTAR ENVOLVIDO
Para investigar essa hipótese, os pesquisadores usaram uma tecnologia conhecida como “humano em um chip”. O método utiliza células humanas cultivadas em laboratório para simular interações que ocorrem no organismo.
Nesse experimento, os cientistas criaram uma junção neuromuscular em laboratório, estrutura responsável pela comunicação entre neurônios motores e fibras musculares. A conexão é crucial para que o corpo realize movimentos.
O modelo utilizado reproduz essa ligação sem incluir cérebro ou medula espinhal, permitindo observar se os problemas surgiriam mesmo sem a participação do sistema nervoso central.
Os pesquisadores combinaram células musculares saudáveis com neurônios motores derivados de células-tronco que carregavam mutações genéticas associadas ao Alzheimer familiar.
Os testes mostraram que essas mutações eram capazes de prejudicar a junção neuromuscular, interferindo na transmissão de sinais entre nervos e músculos.
“Esta é a primeira vez que mostramos que alterações no sistema nervoso periférico podem surgir diretamente dessas mutações”, afirma o pesquisador James Hickman, que liderou o estudo.
TECNOLOGIA PODE AJUDAR A ENTENDER MELHOR A DOENÇA
Nos experimentos, os cientistas analisaram diferentes aspectos da função neuromuscular, como a capacidade dos sinais nervosos de provocar contrações musculares e o tempo que os músculos conseguiam manter essa atividade antes de se fatigarem.
Essas medições são semelhantes aos testes usados na prática clínica para avaliar distúrbios de movimento.
Os pesquisadores acreditam que ferramentas como o modelo humano em chip podem ajudar a compreender melhor como doenças se desenvolvem no corpo humano. Como o sistema utiliza células humanas reais, ele pode revelar efeitos que nem sempre aparecem em estudos com animais.
Eles destacam também que os resultados indicam que o Alzheimer pode afetar diferentes partes do organismo e que futuras terapias talvez precisem considerar não apenas o cérebro, mas também outros componentes do sistema nervoso.


