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Comerciantes na Asa Norte usam táticas de guerra para evitar arrombamentos

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Concertina instalada em loja da Asa Norte busca conter onda de furtos (Foto: Instagram)

Comerciantes da Asa Norte (DF) estão adotando estratégias de guerra para tentar reduzir a criminalidade na região. Indignada com a impunidade e a audácia de criminosos disfarçados de pessoas em situação de rua, a proprietária de uma loja na Quadra 704/705 Norte, que foi alvo de furto, instalou uma concertina — um tipo de arame farpado enrolado — na grade do teto do subsolo de seu estabelecimento.

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Essa medida foi tomada após vários incidentes de arrombamento no comércio local. A concertina, amplamente usada na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), era fabricada por militares a partir de arame farpado para proteger trincheiras.

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A proprietária, que preferiu não se identificar e será chamada de Fernanda*, adotou outras medidas drásticas de segurança. Ela instalou uma cama de pregos em um ponto estratégico do estabelecimento para deter invasores. O último furto ocorreu em 31 de março de 2026, quando foram levados máquinas, equipamentos, talheres e ferramentas, causando um prejuízo superior a R$ 4 mil.

“Usamos o subsolo como depósito. Eles entraram e levaram o que puderam”, disse Fernanda, que suspeita que os itens furtados foram vendidos para compra de drogas.

“Quando vi a loja destruída, comecei a passar mal. Sentei no chão e chorei enquanto esperava a polícia. Tive um grande gasto para me mudar para o Plano, e agora isso. Tive uma crise de pânico. A Asa Norte não é segura e está nas mãos dos criminosos”, alertou.

Fernanda registrou um boletim de ocorrência, mas não percebeu aumento no policiamento. “Vemos muitas pessoas em situação de rua. Suspeitamos que alguns observam para passar informações. Outra loja aqui perto também foi furtada recentemente”, revelou. No domingo (12/4), Fernanda ficou alarmada ao ver que tentaram invadir novamente a loja pela porta dos fundos.

Segundo a empresária, o número de pessoas em situação de rua está aumentando, e não há resposta eficaz do governo para acolher as famílias vulneráveis. Muitos comerciantes não registram ocorrências por falta de confiança na eficácia das forças de segurança.

Recentemente, criminosos invadiram o subsolo da loja de Adenilton Borges da Silva, de 47 anos, na Comercial da 106 Norte, usando um pé de cabra. Eles arrombaram a grade, mas fugiram ao encontrar um funcionário no local.

Poucos dias depois, voltaram e furtaram uma peça de alumínio do toldo, avaliada em R$ 800, além de tentarem arrombar a porta da frente.

RIO DE JANEIRO, PÁSCOA E BECO DO CRACK
Borges acredita que, sem medidas eficazes, a Asa Norte enfrentará uma insegurança semelhante à do Rio de Janeiro. “Os comerciantes temem que a situação se assemelhe ao Rio, onde a criminalidade levou lojas e moradores a contratarem seguranças particulares”, comentou.

No domingo de Páscoa, 5 de abril, por volta das 15h, um criminoso quebrou o vidro de um carro com uma pedra para roubar uma mochila na 706/707. Jonas (*), uma testemunha, disse que o criminoso parecia ser uma pessoa em situação de rua. “Eles não têm medo. Foi em plena luz do dia, na Páscoa. No dia seguinte, dois bandidos invadiram uma casa e levaram um ventilador”.

Comerciantes e moradores também instalaram arame farpado no “beco do crack”, um ponto de consumo na 716 Norte, a cerca de 1,5 km da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) e de várias escolas particulares. O local, que se tornou um foco de criminalidade, exemplifica o aumento da insegurança na Asa Norte. O Metrópoles recebeu um vídeo do consumo de drogas descarado em frente a um comércio na região.

OUTRO LADO
A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) afirmou que questões de segurança são responsabilidade das autoridades competentes. “Não existem dados que comprovem que pessoas em situação de rua são delinquentes. É importante não generalizar para não estigmatizar ainda mais um grupo já vulnerável.”

A Sedes informou que não remove pessoas em situação de rua. “Nosso papel é garantir o acesso à rede de proteção social do DF, através do Plano Distrital para a População de Rua, pioneiro no Brasil, para criar vínculos, prestar atendimento, desenvolver autonomias e acelerar o processo de saída das ruas.”

A secretaria mantém dois Centros Pop (Asa Sul e Taguatinga) que funcionam diariamente a partir das 7h, servindo como apoio para pessoas em situação de rua.

A Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) destacou que a Asa Norte foi escolhida para o lançamento do programa Brasília Mais Segura, que intensifica o policiamento em áreas com alta incidência de consumo de drogas e furtos durante a madrugada.

A SSP-DF reconhece que criminosos se disfarçam de pessoas em situação de rua para cometer crimes. “A concentração de pessoas vulneráveis e o tráfico de drogas em áreas comerciais aumentam a percepção de risco. Criminosos usam essa vulnerabilidade como escudo para o tráfico e furtos, como o de cabos.”

(*) – Nomes fictícios

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