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Gianetti, a mãe e treinadora que moldou o campeão olímpico Caio Bonfim

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Gianetti Sena Bonfim e o filho Caio Bonfim celebram os pódios da marcha atlética – prata em Paris-2024 e ouro no Mundial de 2025. (Foto: Instagram)

Entre os treinos matinais em Sobradinho, no Distrito Federal, e o ritmo constante da marcha atlética, Gianetti Sena Bonfim construiu um legado que vai além das medalhas: ensinou seu filho, Caio Bonfim, a caminhar com coragem. Hoje, ela testemunha seu esforço se transformar em história com a prata nas Olimpíadas de Paris, em 2024, e o ouro no Mundial de Atletismo, em 2025.

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Além de ser mãe de Caio Bonfim, Gianetti também é sua treinadora. A paixão familiar pelo atletismo começou muito antes. Como atleta das provas de 5.000 e 10.000 metros, Gia, como é conhecida, foi incentivada por seu treinador e futuro marido, João Sena Bonfim, a investir na modalidade após o nascimento do filho.

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“Eu não podia competir nas provas de 5.000 e 10.000 metros, pois outras atletas estavam em melhores condições. Então, Sena sugeriu: ‘Temos uma prova, você gosta de competir, já está treinando… e, para não ficar sem competir, temos uma prova onde não temos ninguém’”, contou Gianetti.

A então atleta fundista viu na marcha atlética uma oportunidade de se destacar. Ela abraçou a chance e tornou-se um dos grandes nomes da modalidade, antes mesmo de seu filho.

“Eu era daquelas que não gostavam da marcha atlética, achava esquisita, feia, e ia embora quando a prova começava. Mas é como dizem: o trem passa. Se você não entrar, perde a chance e não haverá outra oportunidade.”

Com o fim de sua carreira e formada em direito, Gianetti pensava que seu futuro seria como advogada. Porém, os olhos de Caio brilharam pela marcha atlética, e ele contou com o apoio total da mãe ex-atleta.

“Eu não tinha ambição de ser treinadora. Sou formada em direito, advogada, e minha intenção após ser atleta era advogar. […] Meu escritório estava pronto, só esperando eu terminar a carreira. Mas, nesse intervalo, Caio apareceu”, destacou Gia.

“Não era meu sonho ser treinadora. Meu sonho era ser advogada e atleta, não treinadora. Foram planos que eu não fiz, mas que Deus sabia que eram para mim. Eu gostei, me encontrei nisso e não me vejo fazendo outra coisa”, contou a treinadora.

A parceria entre Caio e Gianetti trouxe resultados para a equipe do Centro de Atletismo de Sobradinho (CASO) e para o esporte brasileiro. Dentre as maiores conquistas, Caio tem a prata nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, o ouro no Mundial de Atletismo de Tóquio, em 2025, e o bronze no Mundial de Marcha Atlética de Brasília, em 2026.

Em todas essas vitórias, Gianetti esteve ao lado de Caio, como treinadora e mãe. É uma proximidade única que ela compartilha com o filho e atleta.

“É a parte mais gratificante do meu lado profissional. Toda mãe quer que seus filhos tenham sucesso, se encontrem na vida, se realizem e sejam felizes. E, muitas vezes, os pais são coadjuvantes na preparação do filho. Paga a escola, ajuda no cursinho. Mas não estão ali, diretamente, todos os dias com essa contribuição. Um dia ela cessa, quando o filho cresce e se torna adulto”, contou Gianetti.

“Recebi esse grande presente de Deus, de fazer parte do dia a dia, das conquistas e realizações profissionais do meu filho. Viajar com ele, ser a treinadora, orientar… essa é a parte mais legal, gratificante e a mais sofrida”, revelou.

Mesmo sendo mãe, Gianetti não alivia nos treinos de Caio, especialmente em vésperas de competições. O objetivo é sempre alcançar os melhores resultados possíveis.

“Se você olhar pelo ângulo da superproteção, não deixará seu filho fazer nada, porque ele terá que sofrer, e isso não me incomoda. É sofrimento, mas logo passa. Quando estiver no pódio recebendo troféu e medalha, ele nem lembrará desse sofrimento”, afirmou.

No início da carreira de Caio, a ideia de ser treinado pelos pais não foi bem aceita, mas eles provaram que é possível alcançar o sucesso juntos, mesmo contra prognósticos e comentários alheios.

“O que era peso, agora nem tanto, mas era muito no começo da carreira dele. Muitas pessoas diziam que ele precisaria deixar de treinar conosco, porque pai e filho, mãe e filho não dariam certo. ‘Procure outro treinador’. Conseguimos provar que é possível que os pais sejam treinadores de seu filho e tenham sucesso.”

A medalha de prata nas Olimpíadas de Paris, em 2024, talvez tenha sido o auge da carreira de Caio Bonfim na marcha atlética. Embora já fosse conhecido do público brasileiro, as Olimpíadas o colocaram entre os maiores atletas do atletismo.

“As pessoas perguntam se eu gostei. Eu digo que gostar é uma palavra muito pequena (risos). Foi tudo. Aquela medalha olímpica, inédita na história da marcha atlética brasileira. Nunca o mundo imaginou que um brasileiro pudesse ser medalhista olímpico na marcha atlética.”

Gianetti também alcançou outro patamar, sendo a treinadora que fez de Caio um campeão. Ela ressalta que, após a prata nos Jogos de Paris e o título do Mundial de Atletismo em Tóquio, não esperava que o filho conquistasse um bronze no Mundial de Marcha Atlética, em Brasília.

“A consagração de tudo na nossa vida foi a realização desse Mundial (de Marcha Atlética) aqui em Brasília. Foi todos os sonhos misturados. Viemos de uma consagração nas Olimpíadas, de uma consagração no Mundial (de Atletismo), e realizamos o Mundial (de Marcha Atlética) por equipes aqui (em Brasília)”, contou uma sorridente Gianetti.

“Eu perguntava para Deus: ‘o que mais de bom tem para acontecer? Já aconteceu tudo!’. Pois não aconteceu? Sabíamos que seria muito difícil por ser na cidade (Brasília) […] foi pódio e já está ótimo. Ele não tinha essa medalha e foi tudo aqui na nossa casa. Foi maravilhoso”, disse a mãe e treinadora de Caio Bonfim.

Na vida, há momentos em que é preciso deixar alguns sonhos para seguir novos caminhos. E não foi diferente com Gianetti. Ao deixar a advocacia, ela se preparou para dar o melhor no treinamento de Caio e formá-lo como atleta de elite.

“Eu já estava no final de carreira. Não digo abrir mão, mas foi uma escolha deixar de advogar para acompanhá-lo. Porque foi por ele e continua sendo por ele e para ele que me preparei, estudei, me tornei uma treinadora. Se fosse por outro atleta, isso não teria acontecido.”

“Não posso dizer que abri mão do meu sonho. Foram apenas sonhos diferentes. Um sonho que eu não tinha sonhado, mas que me sinto realizada também por ter acontecido”, destacou a treinadora.

Em um recado para as mães que têm filhos sonhando em se tornar atletas, Gianetti deixa claro que há desafios, mas é preciso incentivar e fazer o possível para que o desejo se realize.

“Às vezes queremos que nossos filhos realizem nossos sonhos. Eles têm que realizar os sonhos deles. Nós já tivemos os nossos. Se foram frustrados, a culpa é nossa, não deles. Ninguém chega a lugar nenhum sozinho. Os primeiros incentivadores e as primeiras pessoas que ajudam e que elevam são os pais. Se não fazemos isso… Se não encontram apoio em casa, onde vão encontrar?”, declarou Gianetti.

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