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Tráfico no DF usava festas com brinquedos infláveis para crianças como fachada

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Diversão infantil bancada pelo tráfico em Samambaia (Foto: Instagram)

Imagens exclusivas obtidas pela coluna Na Mira mostram crianças se divertindo em brinquedos infláveis na quadra QR 421, em Samambaia, durante um dia ensolarado que lembrava uma típica “rua do lazer”. No entanto, o que parecia ser apenas uma atividade recreativa comunitária era, na verdade, parte de uma estratégia do tráfico de drogas para ganhar apoio popular e consolidar o controle territorial na área.

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De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a estrutura desses eventos era financiada com dinheiro do tráfico de drogas. A prática foi descoberta durante a Operação Eiron, deflagrada na madrugada desta quarta-feira (6/5) pela 26ª Delegacia de Polícia de Samambaia Norte.

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A investigação revelou um esquema elaborado em que criminosos organizavam festas comunitárias, distribuíam alimentos, bebidas, cestas básicas e até bolos em datas comemorativas, como Dia das Mães e Dia das Crianças. O objetivo, segundo os investigadores, era criar uma falsa sensação de proteção social, conquistar a simpatia da população e reduzir as denúncias contra o grupo criminoso.

A operação mobilizou cerca de 200 policiais civis para cumprir 39 mandados judiciais — 14 de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão. As investigações indicam que o grupo se inspirava em métodos usados por facções do Rio de Janeiro, especialmente o Terceiro Comando Puro (TCP), rival histórico do Comando Vermelho.

Um dos aspectos que mais chamou a atenção da PCDF foi a presença da Estrela de Davi pintada em muros e casas de Samambaia. O símbolo é associado ao TCP e utilizado por integrantes ligados ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”, um dos criminosos mais procurados do Rio de Janeiro.

As investigações também mostraram a modernização das atividades criminosas. O grupo usava redes sociais para divulgar “cardápios” de drogas e negociava entorpecentes por aplicativos de mensagens. Entre os produtos vendidos estavam crack, cocaína, haxixe do tipo “dry”, maconha nas versões “skunk” e “ice”, além de lança-perfume. A distribuição funcionava em sistema de delivery, com drogas escondidas em embalagens de fast-food para despistar a fiscalização.

A organização utilizava estabelecimentos comerciais aparentemente legais para encobrir as atividades ilícitas. Padarias, distribuidoras de bebidas e quiosques serviam como pontos de armazenamento e venda de drogas. Em um dos casos investigados, uma padaria era usada tanto para vender alimentos quanto para fracionar entorpecentes, utilizando a mesma balança para pesar pães e drogas. Os lucros do tráfico eram movimentados via Pix para contas de terceiros, conhecidos como “laranjas”, dificultando o rastreamento financeiro.

Apesar da tentativa de construir uma imagem de “benfeitores” da comunidade, os investigados mantinham uma rotina de extrema violência. A polícia identificou espancamentos brutais de usuários de drogas e a circulação de armas de grosso calibre. Também foram registradas práticas do “tribunal do crime”, usado por facções para punir quem desobedecesse suas regras.

Em fevereiro de 2026, um dos investigados foi encontrado morto no Lago Paranoá. O caso ainda está em investigação.

Os suspeitos responderão por tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro, com penas que podem ultrapassar 35 anos de prisão. A Operação Eiron alerta para o avanço de estratégias típicas de facções cariocas no Distrito Federal, onde o crime organizado tenta ocupar espaços deixados pela ausência do Estado e conquistar apoio popular através de ações financiadas pelo tráfico.

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