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Governo Lula responde à expulsão de delegado da PF e aumenta tensão com EUA

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Trump e Lula em reunião diplomática em meio a tensões bilaterais (Foto: Instagram)

As relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos voltaram a se intensificar após a administração de Donald Trump decidir pela retirada de um delegado da Polícia Federal (PF) que atuava como oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) nos EUA.

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A ação gerou uma reação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que aplicou o princípio da reciprocidade, ampliando as tensões entre os dois líderes, que vinham tentando uma aproximação desde o ano passado.

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Na segunda-feira (20/4), o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA anunciou a decisão sobre o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, alegando tentativa de interferência em um processo de extradição. Ele era o elo entre autoridades brasileiras e o ICE.

O delegado esteve envolvido em ações relacionadas à detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, preso pelo ICE em 13 de abril, em Orlando (Flórida), por estar com o visto vencido desde março. Ramagem, condenado a 16 anos por envolvimento em uma trama golpista, é considerado foragido da Justiça brasileira desde setembro de 2025. Dois dias após a prisão, ele foi liberado do centro de detenção.

Marcelo Ivo ocupava o cargo nos EUA desde agosto de 2023, colaborando com o Departamento de Segurança Interna em temas como imigração e combate ao terrorismo. Suas funções incluíam a coordenação da cooperação entre autoridades dos dois países.

No dia seguinte à decisão, durante uma viagem à Europa, Lula declarou que, caso se confirmasse um abuso por parte das autoridades americanas, o Brasil poderia responder com base na reciprocidade. Na quarta-feira (22/4), o governo brasileiro reagiu: a PF retirou as credenciais de um agente de imigração dos EUA que atuava em Brasília.

De acordo com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a decisão foi baseada no princípio diplomático de reciprocidade, onde ações de um país são respondidas de forma equivalente por outro para manter o equilíbrio nas relações.

Mais tarde, Lula comentou o caso em um vídeo nas redes sociais, elogiando a postura do diretor da PF. “O que eles fizeram conosco, faremos com eles, esperando que estejam dispostos a retomar o diálogo e normalizar as relações”, afirmou.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) também criticou a decisão americana. Em nota, o Itamaraty afirmou que a medida não respeitou a “boa prática diplomática” nem os mecanismos de cooperação bilateral. Segundo o órgão, a interrupção das atividades do delegado ocorreu sem comunicação prévia ou pedido de esclarecimentos ao governo brasileiro.

A manifestação ocorreu um dia após reunião entre o diretor do Departamento de América do Norte do Itamaraty, ministro Christiano Figuerôa, e a encarregada de negócios dos EUA no Brasil, Kimberly Kelly.

ENTENDA O CASO
O episódio está ligado à prisão, na semana passada, do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos EUA. Considerado foragido pela Justiça brasileira, ele é alvo de um pedido de extradição. A Polícia Federal afirmou que a prisão ocorreu com base na cooperação entre os dois países. Já os EUA sustentam que a abordagem ocorreu após verificação do status migratório. Ramagem foi liberado dois dias depois, sem aviso prévio às autoridades brasileiras. Segundo os EUA, o ex-deputado poderá permanecer em solo norte-americano enquanto aguarda resposta a um pedido de asilo feito por ele. Ao justificar a expulsão do delegado da PF, o Departamento de Estado norte-americano acusou o brasileiro de tentar “manipular o sistema de imigração” para contornar procedimentos formais de extradição. A medida foi interpretada pelo governo brasileiro como uma quebra de confiança na cooperação bilateral, ponto que agora está no centro da tensão diplomática.

HISTÓRICO DE ATRITOS
O episódio se soma a uma sequência de atritos recentes entre os dois países. No ano passado, o governo Trump adotou medidas consideradas hostis pelo Planalto, como o “tarifaço” sobre produtos exportados brasileiros, afetando setores estratégicos da economia.

A motivação das tarifas teve cunho político, com ameaças de interferência no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de liderar uma trama golpista para se manter no poder após a derrota nas eleições de 2022. Além disso, autoridades americanas criticaram publicamente decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), interpretadas pelo governo brasileiro como ingerência em assuntos internos.

Apesar da reversão posterior do tarifaço por vias diplomáticas e pela Suprema Corte dos EUA, e de um ensaio de distensão na relação entre Lula e Trump — que chegaram a se referir um ao outro como “amigos” e a mencionar uma “boa química” —, o vínculo nunca se estabilizou, em razão das visões antagônicas dos dois presidentes.

O ponto mais recente de tensão, antes do imbróglio envolvendo a PF, é a sinalização do governo americano de que estuda classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas. A medida pode ter impactos jurídicos e diplomáticos relevantes para o Brasil, já que, segundo governistas, abriria margem para possíveis intervenções em território nacional.

ALFINETADAS
Nos últimos dias, durante um giro internacional que passou por três países da Europa — Espanha, Alemanha e Portugal — o presidente Lula fez críticas frequentes ao comportamento de Trump, ora de forma direta, ora indireta.

Em discursos públicos, o brasileiro criticou o unilateralismo, defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU e condenou intervenções dos EUA em outros países. Ele também classificou como “irresponsável” a condução de conflitos internacionais e criticou o uso recorrente de declarações nas redes sociais.

“Não podemos levantar todo dia de manhã e ir dormir todo dia à noite com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra”, afirmou na 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, em Barcelona, na Espanha. O presidente também ironizou o desejo do norte-americano de ganhar o Prêmio Nobel da Paz e chegou a brincar que pretende chamar Trump para assistir com ele uma eventual final da Copa do Mundo entre Brasil e Alemanha em 2026.

“O que a gente vê todo dia são declarações, que eu não sei se são brincadeira ou não, do Trump dizendo que já acabou com oito guerras, mas que não ganhou o Prêmio Nobel da Paz”, declarou durante declaração à imprensa em Portugal. Ele acrescentou que o norte-americano tem que ganhar logo o Nobel para acabar de fato com as guerras. “Então, é importante que a gente dê logo um Prêmio Nobel para o presidente Trump para não ter mais guerra. Aí, o mundo vai viver em paz tranquilamente“, ironizou.

IDA A WASHINGTON
Apesar de uma possível reaproximação ter sido ensaiada após conversa telefônica entre Lula e Trump, no início do ano, um encontro presencial entre os dois ainda não tem data definida.

Inicialmente cogitada para março, a reunião foi adiada em meio ao agravamento de tensões internacionais, especialmente envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. Auxiliares de Lula avaliam que o cenário atual dificulta o avanço de uma agenda bilateral mais construtiva.

Com o novo desgaste diplomático, a expectativa é que um eventual encontro entre os dois líderes ganhe contornos mais complexos, em meio à necessidade de administrar uma relação marcada por divergências crescentes.

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