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Fintech “chinesa” sem aval do BC é acusada de golpe envolvendo MC Ryan

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Gráficos de transações expostos em tela de computador (Foto: Instagram)

Apontada como a "cúpula da infraestrutura financeira" de um esquema bilionário que resultou na prisão de Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, e outros, a Golden Cat Processamento de Pagamentos enfrenta processos judiciais e queixas de apostadores por estelionato e fraudes financeiras. A empresa nunca obteve autorização do Banco Central (BC) para operar no Brasil.

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Apesar da ausência de licença, a empresa atua como "facilitadora" de pagamentos para casas de apostas, conhecidas como "bets". Apostadores acusam a fintech de bloquear suas contas, impedindo o saque dos prêmios.

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A operação também mira outras personalidades conhecidas, como o funkeiro Poze do Rodo e o influenciador Chrys Dias. As investigações apontam que as operações financeiras eram realizadas tanto no Brasil quanto no exterior.

A Golden Cat foi fundada em 2023 em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e no ano seguinte transferiu suas operações para São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, uma mudança que despertou a atenção da Procuradoria Geral gaúcha.

Em São Paulo, a empresa estabeleceu sua sede em São Bernardo e abriu uma filial em Santos, no litoral do estado. Recentemente, a Golden Cat entrou na mira da Polícia Federal (PF) ao ser identificada como "cúpula da infraestrutura financeira" de um esquema de lavagem de dinheiro que utilizava as indústrias fonográficas e de entretenimento.

A empresa operava como uma "grande processadora de pagamentos que movimenta centenas de milhões de reais e funciona como eixo central para arrecadação de recursos provenientes de apostas ilegais", conforme a decisão do juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, que autorizou a operação Narco Fluxo.

Os valores multimilionários eram então transferidos para empresas de associados à estrutura criminosa, além de serem enviados para o exterior.

Diante dos elementos identificados pela investigação, a Justiça decretou a prisão temporária do atual sócio-administrador Xizhangpeng Hao, de Sun Chunyang, que ocupava o mesmo cargo anteriormente, e de Jiawei Lin, destinatário dos valores enviados para fora do país. Outros 39 mandados de prisão foram expedidos no âmbito da Narco Fluxo, dos quais 33 foram cumpridos nas primeiras horas da operação.

A Golden Cat é alvo de inúmeras queixas em portais como o Reclame Aqui, onde não há respostas para os usuários, e enfrenta processos judiciais em tribunais de pelo menos 13 estados brasileiros.

A reportagem identificou ações de consumidores contra a fintech nos tribunais de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Roraima e Amazonas.

Na maioria esmagadora dos processos, clientes recorrem à Justiça por meio do direito do consumidor e pedem indenização por danos morais e materiais após terem perdido dinheiro na plataforma.

Muitas vezes, as perdas ocorrem após apostas "ganhas", que multiplicam substancialmente os valores apostados. Quando pedem para sacar os prêmios, os usuários têm suas contas bloqueadas.

O Metrópoles não localizou representantes da Golden Cat nem a defesa de seus sócios-administradores. O espaço segue aberto.

A operação Narco Fluxo contou com a participação de mais de 200 policiais federais, que cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pelo juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos.

De acordo com a PF, a ação ocorreu nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal.

A PF acredita que o volume financeiro movimentado pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 260 bilhões. Além de armas, carros de luxo e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.

Entre os presos na operação estão os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.

O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas. De acordo com a decisão judicial, o valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes que teriam sido praticados: "tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf".

Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.

As investigações continuam, e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Em nota, a defesa de MC Ryan informou que não teve acesso ao procedimento. "Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável". A defesa ainda afirmou confiar que os esclarecimentos que serão prestados demonstrarão a verdade dos fatos.

Já os advogados de MC Poze divulgaram a seguinte nota: "A defesa de Marlon Brandon [nome de batismo de Poze] desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário", informou o texto.

A defesa de Raphael Sousa, dono da Choquei, disse, em nota, que "seu vínculo com os fatos investigados decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital. Os valores por ele recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos".

Segundo o advogado Pedro Paulo de Medeiros, "Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada".

Por fim, a defesa de Chrys Dias e Débora Paixão informou que, como o processo corre sob segredo de Justiça, as manifestações ocorrerão apenas nos autos. "Repudiamos os vazamentos de imagens que violaram a privacidade da família e a presunção de inocência, reiterando nossa confiança na Justiça", diz a nota.

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