
PF aperta o cerco sobre compra bilionária do Banco Master pelo BRB (Foto: Instagram)
Nas tentativas finais para assegurar a aquisição do Banco Master, de Daniel Vorcaro, no ano passado, a diretoria do Banco de Brasília (BRB) informou ao Banco Central que o negócio geraria resultados financeiros significativos. Em março de 2025, projetou um lucro líquido de R$ 838 milhões para aquele ano, com crescimento até R$ 3,8 bilhões em 2029.
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Essas informações estão em documentos obtidos pelo Metrópoles. Nesta quinta-feira (16/4), em desdobramento da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal (PF) realizou apreensões e prisões relacionadas ao caso, incluindo a do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
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No entanto, as previsões de lucro do BRB foram sendo ajustadas ao longo do processo. Em maio, a estimativa para 2025 caiu para cerca de R$ 736 milhões, e a de 2029, para R$ 3,7 bilhões.
Mesmo com essas mudanças, o Banco Central encontrou problemas sérios. Em setembro, a área técnica detectou “erros básicos de cálculo”. Segundo o BC, após deduções de impostos e participações, o lucro de 2025 seria de apenas R$ 83 milhões — mais de 900% abaixo do inicialmente projetado. Isso comprometeu a análise de viabilidade do negócio.
Uma auditoria da PwC, contratada pelo próprio BRB, também levantou questionamentos. A empresa destacou a falta de informações sobre ativos e passivos do Master e sugeriu uma análise mais detalhada da capacidade de pagamento do banco.
O BC fez questionamentos semelhantes, inclusive sobre o impacto da operação no caixa do BRB. Paulo Henrique Costa, no entanto, minimizou os riscos.
Segundo ele, as “sinergias operacionais e comerciais” resultantes da união das duas instituições seriam suficientes para compensar esse consumo de liquidez e garantir o retorno financeiro esperado.
A 3ª FASE DA OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
- Deflagrada pela PF na manhã de quinta, cumpriu mandados em SP e no DF;
- A PF prendeu o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa por suspeita de aceitar propina para atuar como “mandatário” de Vorcaro;
- Costa teria recebido mais de R$ 146 milhões em imóveis de luxo em compras realizadas pelo dono do Master;
- Além dele, o ex-advogado do Master no processo da compra pelo banco do DF, Daniel Monteiro, também foi preso;
- Segundo as investigações, Monteiro agia como “laranja” do Master e da Reag para adquirir ações do BRB e participar da estrutura de decisões do banco estatal;
- A operação foi autorizada pelo ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
- Segundo o advogado Cleber Lopes, que representa o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique “não cometeu crime algum” e a prisão é “desnecessária”.
FALHAS E RISCOS PESARAM CONTRA O NEGÓCIO
No voto que fundamentou a rejeição, Renato Gomes listou uma série de problemas no processo. Segundo ele, o BRB enviou documentos com inconsistências, valores conflitantes e falta de informações essenciais. Mesmo após pedidos de correção, as falhas persistiram.
O Banco Central chegou a realizar uma inspeção no Master. Ainda assim, encontrou dados incorretos, como ativos já vendidos e valores bilionários sem detalhamento. O diretor afirmou que não havia segurança sobre grande parte dos ativos envolvidos na operação. Sem isso, não era possível comprovar a viabilidade financeira do negócio.
O voto também trouxe críticas ao próprio BRB. O BC apontou fragilidades na governança, nos controles e na gestão de riscos, além de queda nos indicadores de liquidez. Outro ponto foi a situação do Master, descrita como de “severas dificuldades econômico-financeiras” e baixa liquidez.
Gomes alertou que, se a operação avançasse e gerasse prejuízos, o BRB poderia não ter estrutura para absorver o impacto. A conclusão foi de que o BRB não estava preparado para liderar o novo conglomerado, e a compra poderia colocar em risco sua estabilidade.
MASTER TENTOU OUTROS NEGÓCIOS COM BRB
Apesar da rejeição do negócio, o Master indicou que as conversas com Paulo Henrique Costa continuaram. Em 22 de setembro de 2025, Daniel Vorcaro apresentou ao BC uma minuta de acordo com o BRB para a venda de até R$ 400 milhões mensais em operações de crédito originadas pelo Banco Master.
A medida fazia parte de um plano de recuperação, que também incluía venda de ativos e entrada de investidores estrangeiros.
“Esse acordo operacional possibilitará o ingresso de recursos no Banco Master em montante suficiente para custeio de suas despesas ordinárias”, disse Vorcaro.
No mesmo documento, Daniel Vorcaro contestou o rigor da análise do Banco Central sobre a transação com o BRB.
Segundo a defesa da instituição, como a operação envolvia dois bancos já autorizados e não alterava a natureza do negócio, o processo deveria ter tido uma análise reduzida.
Para Vorcaro, caberia ao BC ter apurado apenas a “capacidade econômica dos controladores, a origem lícita dos recursos utilizados na aquisição de participação e a reputação ilibada do novo integrante do grupo de controle”.


