
Governador Tarcísio de Freitas exibe ordem de serviço em evento do programa São Paulo pra Toda Obra no Palácio dos Bandeirantes. (Foto: Instagram)
Alvo de críticas de prefeitos durante seu mandato, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e seus aliados passaram a adotar recentemente o discurso de que a administração atual está implementando um novo modelo na relação e nos repasses aos municípios. A ideia, a menos de oito meses do fim do mandato, é priorizar obras estruturantes em vez de pequenos convênios.
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A estratégia busca contrastar com as gestões passadas, dominadas pelo PSDB por quase três décadas antes da ascensão de Tarcísio na última eleição. O desgaste entre prefeitos e o atual governador tem sido explorado pelo PT e seu pré-candidato ao governo, Fernando Haddad, como argumento de que, apesar da alta aprovação, Tarcísio não é “imbatível” no estado.
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Nos bastidores, Tarcísio e seu núcleo central afirmam não estar preocupados com o mal-estar, pois acreditam que os prefeitos reconhecerão as obras estruturais realizadas, como a retomada do trecho norte do Rodoanel e melhorias em rodovias, seja pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) ou por concessões e parcerias público-privadas.
“A gente já entregou 886 obras em rodovias. Isso significa praticamente R$ 16 bilhões já investidos. É um governo que dá resultado. (…) Nada mais típico na política antiga do que assinar convênio, fazer anúncio. Principalmente em ano eleitoral. Muitas vezes a estrada foi prometida e não saiu do papel. Nós não estamos assinando convênios, estamos aqui assinando ordens de serviço”, afirmou Tarcísio durante um evento com prefeitos nessa terça-feira (5/5) para uma plateia cheia de prefeitos.
EFEITO GARCIA
Outro argumento na pré-campanha de Tarcísio é de que apoio massivo de prefeitos não garante vitórias nas eleições. Como exemplo, aliados citam o caso do ex-governador Rodrigo Garcia, que em 2022 perdeu ainda no primeiro turno, mesmo com a máquina estadual e amplo apoio de prefeitos no interior paulista.
No entendimento dos membros da pré-campanha de Tarcísio, os prefeitos insatisfeitos com o governo não apoiarão o PT nas eleições. A avaliação é de que a campanha petista tem encontrado “portas fechadas” nas prefeituras onde busca apoio, especialmente nas comandadas pelo PSD, cujo partido e presidente, Gilberto Kassab, tiveram a relação com Tarcísio abalada nos últimos meses.
INVESTIMENTO EM ASFALTO
Enquanto mantém tranquilidade sobre as reclamações dos prefeitos, o governo Tarcísio anunciou nesta semana cerca de R$ 2 bilhões em novos investimentos em obras de rodovias. O valor inclui empreendimentos diretos do estado e os realizados por concessões. O pacote faz parte de um programa do governo chamado SP pra toda obra.
Lançado no ano passado, a iniciativa previa inicialmente R$ 30 bilhões em cerca de 1,5 mil obras – ou 22 mil quilômetros de rodovias, segundo a gestão estadual. Agora, o governo Tarcísio anunciou que o pacote saltou para R$ 145 bilhões de investimentos, com 4,3 mil obras em 62 mil quilômetros de estrada.
De acordo com a gestão, as obras incluem pavimentação, recuperação, manutenção, duplicação e implementação de terceira faixa, entre outras melhorias.
“NÃO ESTAMOS MAIS SENDO ENROLADOS”
Para anunciar os repasses, foi realizado um evento no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, marcado por discursos justificando a nova política estadual em relação aos repasses aos municípios.
O prefeito de Balbinos, cidade de cerca de 4 mil habitantes na região de Bauru, com orçamento aprovado de R$ 32 milhões para 2026, foi convidado a falar e dar um “testemunho” aos presentes. Ele afirmou que os prefeitos “não estão mais sendo enrolados”.
“Eu tenho uma história interessante para contar aqui hoje, por isso fui convidado. [Sobre] essa estrada que Balbinos está assinando. É meu quinto mandato como prefeito e é a quarta vez que venho aqui assinar convênio. (…) Só conversa fiada [sobre relações estremecidas de Tarcísio com prefeitos]. Hoje nós não estamos mais sendo enrolados. Pelo contrário, fiquei sabendo que a empresa já está lá fazendo a topografia. Não é conversa fiada”, declarou o prefeito de Balbinos, Zé Márcio (MDB), em seu quinto mandato, aos outros prefeitos presentes.
Outra história ligada ao veterano de Balbinos vem do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Em 2015, a Corte desaprovou as contas de sua gestão. Dez anos depois, com Zé Márcio no comando, o TCE-SP enviou um alerta ao seu gabinete ao identificar riscos fiscais nas contas do município.
CALL CENTER EXCLUSIVO
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima, anunciou na ocasião uma linha de crédito de R$ 200 milhões voltada a obras de recapeamento e um call center para agilizar recursos aos municípios. Segundo o governo, o financiamento é emergencial e voltado a “municípios que precisam recuperar ruas e avenidas danificadas, especialmente após o período de chuvas”.
Em seu discurso, Lima alertou os prefeitos sobre a necessidade de acelerar o pedido para receber o empréstimo, para que o dinheiro possa ser liberado antes do prazo estabelecido pela Lei Eleitoral.
“Peço bastante atenção aos prefeitos porque vai ser fundamental a velocidade. Por questões eleitorais, eu preciso fazer o primeiro pagamento de quem se interessar a fazer o recapeamento até 30 de junho, o primeiro pagamento, senão eu só consigo efetuar depois da eleição”, disse aos presentes.
“Para facilitar a vida de vocês, nós tiramos algumas das exigências anteriores que são possíveis, já que o recurso é do estado, não tem nada a ver com nada federal. Como esse recurso é estadual, nós facilitamos muitas documentações”, afirmou Lima.
O secretário ainda informou aos prefeitos que sua pasta criou um “call center” exclusivo para atender os gestores “nessa velocidade”. “Para poder sair até primeiro de junho, ou senão nós vamos fazer, mas aí vai virar outubro (depois da eleição). Atenção para isso”, cobrou.
Ainda de acordo com o governo, as prefeituras contempladas terão condições facilitadas de financiamento, com prazo de até 72 meses, carência de até 12 meses e suporte técnico especializado para estruturação dos projetos até a liberação dos recursos.
Além disso, outros R$ 200 milhões serão aplicados diretamente pelo governo no recapeamento de estradas, via convênios com 16 cidades.


