
Viaturas da Receita Federal e da ROTA mobilizadas em operação contra o esquema Carbono Oculto (Foto: Instagram)
A Justiça de São Paulo aceitou o pedido e concedeu mais 90 dias para que o Ministério Público de São Paulo (MPSP) finalize as investigações relacionadas ao esquema Carbono Oculto — um bilionário esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e na Faria Lima.
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Conforme noticiado pela coluna no domingo (5/4), os membros do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) esperam concluir o trabalho dentro deste novo prazo. A decisão judicial é mantida em sigilo.
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A investigação, que ocorre no âmbito de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) iniciado em 2024, deve resultar na acusação de pelo menos 30 a 40 pessoas. O caso é sigiloso e ainda enfrenta desafios periciais, sendo considerado de alta complexidade.
Entre os investigados estão os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de “Beto Louco” — ambos atualmente foragidos.
Iniciada em agosto do ano passado, a operação Carbono Oculto teve como alvo cerca de 350 pessoas físicas e jurídicas, sendo considerada a maior ofensiva já realizada no país contra o crime organizado.
De acordo com as investigações, uma rede de 1.200 postos movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas pagou apenas R$ 90 milhões em impostos — o que representa 0,17%.
Para lavar o dinheiro, o grupo teria utilizado 40 fundos com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, operados por agentes do mercado financeiro na Faria Lima. Conforme reportado pelo Metrópoles, os dois empresários estão em negociação de acordos de colaboração com o MPSP. Na ocasião, o procurador-geral de Justiça afirmou que a investigação envolveu não só empresários, mas também agentes públicos e, possivelmente, políticos.
A operação Carbono Oculto não é um caso isolado. A investigação está ligada a outras frentes abertas no setor de combustíveis, especialmente à Operação Tank.
A coluna informou, em 26 de março, que o caso foi encaminhado à Justiça Estadual do Paraná, o que poderia diminuir a atuação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF).
Na época, a 14ª Vara Federal de Curitiba declarou que o encaminhamento à justiça comum ocorreu sob a compreensão de que os crimes investigados não estavam relacionados ao tráfico internacional — afastando assim a competência federal.
Contudo, a decisão foi revertida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que manteve o caso na esfera federal.


