
Maquete do futuro Centro Administrativo nos Campos Elíseos (Foto: Instagram)
O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ainda não decidiu o destino de mais de 40 imóveis usados por repartições públicas estaduais quando o novo centro administrativo for implementado na região dos Campos Elíseos. Este projeto bilionário, uma das principais iniciativas políticas de Tarcísio, está previsto para ser concluído em 2030. Se reeleito, o governador poderia usar o centro administrativo como um trunfo em uma possível campanha presidencial, segundo aliados.
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O governo já realizou o leilão da parceria público-privada para o projeto e está preparando a desapropriação de pelo menos 300 imóveis. No entanto, ainda há muitas perguntas sem resposta. A principal delas é sobre o futuro dos mais de 40 endereços de repartições que terão seus funcionários transferidos para o novo centro. A Secretaria de Parcerias em Investimentos informou que a destinação futura dos imóveis desocupados será definida oportunamente pelo Estado, com base em critérios técnicos, administrativos e de interesse público.
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O argumento inicial de Tarcísio era que o novo centro administrativo ajudaria a revitalizar o centro de São Paulo, uma área que já foi o principal ponto de concentração da cracolândia. Porém, segundo levantamento do Metrópoles, a maioria das secretarias do governo já está localizada no centro da cidade, com 15 das 24 secretarias nessa região. A Secretaria da Educação, por exemplo, está na praça da República, enquanto a de Agricultura fica na praça Ramos de Azevedo.
O professor Valter Caldana, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, alerta que o sucesso do projeto depende de um planejamento cuidadoso para os prédios esvaziados, mesmo aqueles que não pertencem ao governo. Atualmente, secretarias e órgãos do governo operam em mais de 850 mil m² em 40 endereços. Se o governo não planejar adequadamente a venda desses imóveis, pode acabar "despejando um volume enorme de metros quadrados à venda a preços baixos".
A professora Isadora Guerreiro, da FAU-USP, acredita que há um projeto político para apagar as características populares da área que inclui a antiga cracolândia. Ela argumenta que o interesse é fazer um grande negócio em parceria público-privada, mas que os bilhões gastos no projeto poderiam ser melhor utilizados na reforma de prédios vazios para moradia popular.
Um projeto de lei enviado à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) busca autorização para um empréstimo de R$ 3,4 bilhões para as obras do centro administrativo. O documento menciona que a área total deve abrigar 22 mil funcionários do governo, mas apenas um "levantamento amostral" de 12.122 trabalhadores é citado. O governo não respondeu sobre o mapeamento completo dos 22 mil servidores.
A gestão Tarcísio afirma que o projeto foi "estruturado com base em um conjunto amplo de benefícios para a administração pública, para a cidade e para a população". A ideia é aprimorar a oferta de serviços públicos e promover a requalificação do centro. Segundo o governo, as secretarias e órgãos estaduais atualmente funcionam de forma dispersa em mais de 40 endereços na capital, com cerca de 850 mil m² de ocupação.
Sobre os imóveis desocupados, o governo afirmou que os que forem de propriedade do estado "não ficarão vazios e serão destinados a outros usos", mas isso será definido "oportunamente". O governo ainda afirma que a iniciativa foi planejada por mais de três anos, com estudos e diálogo com a sociedade e o mercado.


