
Representante da chancelaria iraniana durante reunião ministerial dos BRICS na Índia (Foto: Instagram)
O primeiro dia de encontros entre ministros das Relações Exteriores dos países do BRICS na Índia foi marcado por tensões entre dois membros do bloco. Irã e Emirados Árabes Unidos entraram em conflito devido à prolongada guerra no Oriente Médio. A informação foi dada pelo chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ao Metrópoles.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
Através da Embaixada do Irã no Brasil, Araghchi relatou que o representante dos Emirados Árabes, o vice-ministro das Relações Exteriores Khalifa Shaheen Al Marar, centrou-se apenas na guerra e nas respostas do Irã aos Estados Unidos em território emiradense durante a reunião.
++ Jovem mata o padrasto para defender a mãe e o inesperado acontece
Segundo Araghchi, o Irã não queria discutir o tema para "manter a unidade e coesão dos BRICS". "Foi lamentável e precisei explicar aos presentes que normalmente evitamos esse assunto, mas há limites", disse o chanceler iraniano ao Metrópoles. "Os Emirados, nesta guerra, se aliaram aos Estados Unidos e Israel", acrescentou.
Durante as discussões, o chefe da diplomacia do Irã aconselhou o representante dos Emirados Árabes sobre as relações do país: "Aconselhei que o regime sionista [Israel] e os Estados Unidos não podem garantir segurança para eles".
O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
Desde o início do conflito com os EUA e Israel, o Irã tem atacado países vizinhos, especialmente os do Golfo Pérsico, em retaliação. Teerã afirma que os ataques visam instalações militares dos EUA na região. Os Emirados Árabes Unidos, um dos mais atingidos, relataram 2.819 mísseis e drones iranianos desde o fim de fevereiro. O país alega que os ataques não se limitaram a alvos norte-americanos, mas também a infraestruturas civis, violando sua soberania e o direito internacional. A tensão aumentou após uma suposta visita secreta de Benjamin Netanyahu aos Emirados, negada pelo Ministério das Relações Exteriores do país, mas vista por Teerã como um gesto de apoio aos EUA e Israel.
“NÃO TÍNHAMOS OUTRA ESCOLHA”
Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, explicou ao Metrópoles a posição do país em relação aos Emirados Árabes. Teerã vê a nação vizinha como cúmplice nos ataques dos EUA contra o Irã devido à presença militar americana em seu território.
Gharibabadi lembrou que o Irã já havia alertado seus vizinhos antes do conflito, afirmando que, em caso de ataque, retaliaria instalações norte-americanas na região. "A ação do Irã foi meramente defensiva. Não temos guerra com nossos vizinhos. Alertamos os países da região para não apoiarem os agressores", afirmou Gharibabadi.
A reportagem procurou o governo dos Emirados Árabes Unidos, via embaixada em Brasília, para comentar as acusações do Irã, mas ainda não obteve resposta. O espaço continua aberto para manifestações.


