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Ignorar sinais durante o treino pode aumentar o risco de lesões, diz especialista

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Corredor interrompe treino ao sentir dores articulares e musculares (Foto: Instagram)

Sentir dores nas articulações, como nos ombros, joelhos e lombar, é uma das queixas mais comuns entre frequentadores de academias. Apesar de muitos considerarem esse desconforto uma consequência "normal" do esforço físico, o educador físico Filipe Feijó alerta que essas dores podem indicar lesões decorrentes de erros na execução dos exercícios, excesso de carga ou recuperação inadequada entre as atividades.

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Em entrevista à coluna Claudia Meireles, o especialista explicou que nem sempre o exercício mais "difícil" é o principal problema. “As dores podem estar relacionadas a cargas elevadas sem qualidade técnica de execução e à falta de recuperação adequada”, destaca Feijó.

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Embora os exercícios não sejam os principais “vilões”, o profissional ressalta que alguns movimentos com maior complexidade técnica merecem atenção redobrada — especialmente quando realizados por pessoas com histórico de lesões anteriores. “Agachamento, levantamento terra e supino, quando feitos com técnica inadequada ou excesso de volume, estão entre os exercícios com maior risco de lesões”, alerta o profissional.

Filipe Feijó aponta que fatores como progressão incorreta de carga, fadiga acumulada, falta de mobilidade e desalinhamentos articulares também aumentam significativamente as chances de se machucar.

Filipe Feijó observa alguns padrões que costumam indicar falhas nos movimentos. Segundo ele, identificar os sinais emitidos pelo próprio corpo pode ajudar a evitar lesões futuras. “Dores agudas localizadas nas articulações, normalmente fora do músculo que está sendo exercitado; falta de capacidade de manter o alinhamento articular; uso de compensações; amplitude de movimento inconsistente; e falta de controle da velocidade de execução devem ser observados durante o exercício”, orienta o educador físico.

Além disso, queda precoce de desempenho e ativação predominante de músculos secundários em vez da musculatura-alvo também merecem atenção. “Essas situações sugerem distribuição de carga ineficiente”, ressalta.

De acordo com Filipe Feijó, insistir nos exercícios mesmo diante da dor é um hábito que deve ser deixado de lado. Segundo o especialista, continuar treinando nessas condições pode agravar processos inflamatórios e aumentar o risco de lesões mais sérias. “Quando projetamos carga sobre músculos ou articulações que já estão sobrecarregados, aumentamos a probabilidade de inflamação e, consequentemente, o risco de lesão”, afirma Filipe.

Apesar de alguns incômodos fazerem parte da recuperação muscular, o especialista salienta que há diferenças importantes entre a dor comum do pós-treino e um sinal de alerta. “A chamada dor muscular tardia, causada pela recuperação do músculo treinado, costuma surgir entre 24 e 72 horas após o exercício, de forma difusa e bilateral”, avalia. Já a dor de alerta costuma surgir durante a execução do movimento e apresentar características diferentes da recuperação muscular esperada. “A dor de alerta normalmente aparece durante o exercício e pode persistir ou gerar inchaço por mais de 48 a 72 horas. Geralmente, é localizada, articular, aguda ou em forma de pontada”, esclarece Filipe Feijó.

Para evitar problemas, Filipe Feijó reforça a importância de respeitar a progressão gradual de cargas, séries e repetições, além de manter atenção à técnica correta dos exercícios. O educador físico destaca ainda a necessidade de realizar aquecimento específico, fortalecimento das musculaturas estabilizadoras e monitoramento da fadiga para evitar overtraining — síndrome causada pelo excesso de treinamento. “Priorizar recuperação, sono, nutrição adequada — especialmente ingestão de proteínas — e ajustar o treino ao nível individual são medidas fundamentais para reduzir o risco de lesão”, conclui o profissional.

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