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Unesp afasta dois professores após denúncias de assédio e estupro em São José dos Campos

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Unesp afasta professores após denúncias de assédio (Foto: Instagram)

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) decidiu afastar dois professores do campus de São José dos Campos, localizado no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, devido a denúncias de assédio sexual. Uma ex-aluna do curso de odontologia afirmou ter sido estuprada por um dos docentes durante o primeiro ano da graduação.

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Os professores foram afastados após a abertura de dois processos de investigação preliminar, iniciados pela direção do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) do campus, após o dia 30 de abril. Esses processos visam apurar os casos registrados na ouvidoria da instituição. Durante 30 dias, os docentes não poderão participar de atividades acadêmicas, prazo que pode ser estendido conforme o andamento das investigações.

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A ex-aluna Carolina Ferreira, de 21 anos, denunciou nas redes sociais ter sido vítima de estupro por um professor no campus de São José dos Campos no início de sua graduação em odontologia. Os sintomas do trauma a levaram a trancar a matrícula e relatar o ocorrido aos pais. Ela formalizou a denúncia à Unesp, mas afirmou que a resposta da universidade foi de "negligência", alegando que "nunca houve nada parecido".

Carolina tentou retornar ao curso no ano seguinte, mas desistiu devido a ameaças que recebia. Ela não formalizou a denúncia na época por falta de forças, mesmo com provas. "Eu estava em choque, com medo, tentando apenas sobreviver. Hoje, restaria apenas a minha palavra contra a de um professor conceituado", declarou.

Após a denúncia ganhar repercussão, estudantes da Unesp organizaram manifestações contra a instituição na tarde de segunda-feira (4/5). Houve protestos em frente à reitoria da universidade, na região central de São Paulo, e no campus de São José dos Campos.

Carolina voltou a se manifestar nas redes sociais, expressando apoio aos protestos em um vídeo. A dentista Bárbara Hatje, formada pela Unesp São José dos Campos, também apoiou os relatos de Carolina. "Os assédios de professores, assédio físico, por mensagem, dentro de aula, abuso de poder, ameaças de todos os tipos, de reprovação, isso quando não reprovam de fato, são diários e de anos", afirmou.

A Comissão das Mulheres Advogadas (CMA) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos repudiou os relatos de abusos e denúncias de estupro envolvendo estudantes da Unesp. "É absolutamente intolerável que o ambiente acadêmico, destinado à excelência e ao desenvolvimento humano, seja maculado por violências bárbaras que atentam contra a dignidade e a integridade psicofísica das mulheres. Esta Comissão reafirma que manterá vigilância ininterrupta sobre o caso, não admitindo qualquer retrocesso na apuração dos fatos", declarou a entidade em nota.

A comissão também exigiu esclarecimentos da reitoria e da direção da universidade, elogiando as vítimas pela formalização das denúncias. "Reconhecemos o peso emocional e social desse ato e reiteramos nosso apoio incondicional a cada uma das mulheres atingidas. Vocês não estão sozinhas. Esta instituição se coloca como escudo e voz em defesa de seus direitos, garantindo que sua bravura não seja respondida com indiferença, mas com a busca incessante por justiça e reparação", diz o texto.

O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) também comentou o caso, afirmando acompanhar "com atenção e profunda preocupação os fatos recentemente divulgados envolvendo possível situação de violência no ambiente acadêmico". "No âmbito de suas atribuições legais, o CROSP não se omite: é responsável por fiscalizar o exercício profissional e apurar infrações éticas envolvendo cirurgiões-dentistas e demais inscritos, podendo instaurar os procedimentos éticos cabíveis sempre que houver indícios de violação ao Código de Ética Odontológica", afirmou a entidade em nota.

Em resposta, a Unesp declarou que "tem acompanhado, com atenção e responsabilidade, as manifestações organizadas por estudantes, motivadas por relatos de situações de assédio". A universidade reafirmou seu repúdio a qualquer forma de assédio e seu compromisso com a promoção de um ambiente acadêmico seguro, respeitoso e acolhedor para todos. "Solidarizamo-nos com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de desrespeito e abuso. Informamos que a Universidade dispõe de canais institucionais adequados para acolhimento, orientação e encaminhamento dessas ocorrências, garantindo tratamento com sigilo, imparcialidade e possibilidade de anonimato. As denúncias podem ser formalizadas por meio da Ouvidoria Geral da Ouvidoria Local e Direção da Unidade", afirmou a instituição.

A Unesp destacou que "todos os casos devidamente registrados são apurados, em conformidade com as normas institucionais e a legislação vigente, com a adoção das providências cabíveis".

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