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“Lula e Trump: ‘Boa química’ entre presidentes será testada em reunião crucial”

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Trump e Lula testam ‘boa química’ em encontro na Casa Branca (Foto: Instagram)

A "boa química" entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, será posta à prova nesta semana. O desafio que ambos enfrentam é a criação de uma agenda positiva.

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Foi Trump quem usou a expressão após um breve encontro entre os dois líderes na Assembleia Geral das Nações Unidas, em um gesto – provavelmente calculado – de cortesia com Lula, buscando diminuir a tensão nas relações bilaterais.

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A tensão entre os países começou quando Trump impôs altas tarifas a produtos brasileiros em retaliação ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, um apoiador de Trump. As tarifas foram reduzidas posteriormente, exceto para alguns produtos sensíveis, mas Washington ainda solicita informações sobre práticas econômicas brasileiras, que podem resultar em novas sanções.

Além das disputas comerciais, existe a ameaça dos Estados Unidos de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas, o que poderia abrir caminho para incursões militares americanas no Brasil.

Os presidentes também têm visões divergentes sobre o cenário global atual. Lula condenou a guerra no Irã e criticou o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para julgamento nos EUA.

Desde que Trump assumiu seu segundo mandato, as relações bilaterais enfrentam alguns de seus piores momentos nos últimos anos. A reunião agendada para quinta-feira, na Casa Branca, exigirá mais do que uma nova dose de "boa química". Ambos os líderes precisarão demonstrar boa vontade e flexibilidade para traçar uma nova agenda.

Um dos temas mais delicados é o dos minerais críticos, essenciais para a indústria de alta tecnologia dos EUA, que ficaria dependente de minerais chineses sem acesso aos do Brasil, que possui a segunda maior reserva mundial de terras raras. Trump busca esse acesso, o que poderia suavizar as ameaças comerciais ao Brasil.

O Brasil quer garantir o beneficiamento dos minerais críticos em seu território, evitando ser apenas um fornecedor de matérias-primas. Estão em estudo incentivos fiscais para quem investir no beneficiamento.

O governo brasileiro planeja criar uma nova legislação para estimular a indústria local, que deverá ser respeitada por empresas de todo o mundo. Os EUA aceitarão essa condição ou continuarão com pressões econômicas?

O diálogo parece ser o caminho mais sensato para os presidentes, apesar da instabilidade da atual administração americana. Trump poderia garantir acesso a insumos essenciais sem recorrer à China, tendo o Brasil como parceiro confiável.

Lula pode abrir caminho para uma nova industrialização no Brasil, apresentando-se como um líder capaz de negociar de igual para igual com os principais líderes mundiais. Seu provável adversário nas eleições de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusa o governo de proximidade com a China e afastamento dos EUA. Se Lula fechar um acordo com Trump, o senador perderá um argumento, e Lula poderá se apresentar como um líder pragmático e aberto a acordos globais.

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