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Níveis baixos de glicose no cérebro podem afetar formação de neurônios, aponta pesquisa

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Rede de fibras cerebrais revela o papel da glicose na formação da mielina (Foto: Instagram)

Os baixos níveis de glicose no cérebro podem impactar diretamente a formação de neurônios e as conexões cerebrais. Parte desse processo depende da mielina, uma camada que protege os neurônios e garante a comunicação rápida entre as células nervosas. A pesquisa, publicada na revista Nature Neuroscience, revela que a glicose não é apenas um combustível, mas também um sinal que orienta o desenvolvimento cerebral.

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Durante as fases iniciais da vida, a glicose regula o comportamento das células progenitoras de oligodendrócitos, chamadas OPCs. Essas células podem continuar se multiplicando ou amadurecer e se tornar oligodendrócitos, responsáveis pela produção de mielina. A mielinização começa antes do nascimento e continua até a vida adulta, apoiando etapas como sentar, engatinhar, andar e falar.

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Para entender esse processo, cientistas mapearam os níveis de glicose em cérebros de camundongos em desenvolvimento. Notaram que a quantidade de açúcar varia conforme a região cerebral e o tempo. Nas áreas com mais glicose, havia mais células progenitoras em divisão, enquanto em regiões com menos glicose, as células amadureciam e formavam oligodendrócitos produtores de mielina.

Os pesquisadores descobriram que esse mecanismo depende de uma enzima chamada ACLY, que transforma a glicose em moléculas que ativam genes ligados à multiplicação celular. Sem essa enzima, as células perdem parte da capacidade de se dividir, o que pode prejudicar temporariamente a formação da mielina.

Segundo os autores, esse mecanismo explica por que a mielina se forma em momentos diferentes em várias regiões do cérebro. A glicose não só alimenta as células, mas também define quando devem se multiplicar ou iniciar a formação da mielina.

Os resultados podem ter implicações significativas para o desenvolvimento cerebral, especialmente em bebês prematuros que correm maior risco de lesões na substância branca do cérebro. Compreender como o metabolismo influencia a mielina pode abrir caminho para estratégias de suporte metabólico que protejam essas células em fases vulneráveis.

A descoberta também pode contribuir para pesquisas sobre doenças como a esclerose múltipla, caracterizadas pela perda de mielina. Ao entender as vias metabólicas que controlam a multiplicação e amadurecimento dos oligodendrócitos, cientistas podem buscar novas formas de estimular o reparo da mielina.

O estudo destaca o papel ativo do metabolismo na construção do cérebro e abre caminho para estratégias que possam proteger ou recuperar a mielina ao longo da vida.

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