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Como ultraprocessados afetam intestino, imunidade e saúde mental, segundo especialista

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Mix de ultraprocessados: hambúrgueres, pizza, donuts e salgadinhos prontos. (Foto: Instagram)

Os alimentos ultraprocessados estão cada vez mais presentes no dia a dia e seus efeitos vão além das calorias e do peso. Com grande quantidade de aditivos e poucas fibras, eles alteram a microbiota intestinal, promovem inflamação e podem impactar funções que variam da imunidade ao humor, um efeito que começa no intestino, como explica a nutricionista Ana Paula Dias Leite.

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A especialista destaca que os ultraprocessados empobrecem a diversidade da microbiota, podendo causar disbiose intestinal, com a diminuição de bactérias benéficas e o aumento das patogênicas. Isso cria um ambiente inflamatório no corpo.

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A microbiota intestinal, que é composta por trilhões de microrganismos, tem um papel essencial na digestão, imunidade e regulação metabólica. Quando esse ecossistema é perturbado, o corpo pode entrar em um estado de inflamação crônica de baixo grau. Isso ocorre porque esses alimentos são pobres em fibras, que nutrem as bactérias boas, e ricos em ingredientes artificiais que o intestino não reconhece bem.

Reduzir a discussão a açúcar, gordura e sal é simplificar demais uma questão complexa. Não se trata apenas do excesso de macronutrientes, mas sim do grau de processamento, da combinação de ingredientes e do impacto metabólico que isso causa. Mesmo produtos aparentemente saudáveis podem ter efeitos negativos se forem altamente processados.

Os aditivos químicos presentes nesses alimentos, como corantes, conservantes e emulsificantes, também são preocupantes. Alguns emulsificantes foram associados a alterações na barreira intestinal e na microbiota. Não estamos falando apenas de calorias, mas da qualidade do que está sendo consumido.

Uma das características mais marcantes da microbiota é sua capacidade de adaptação. Em poucos dias, já é possível observar mudanças na microbiota quando a alimentação é alterada, tanto para pior quanto para melhor. Isso significa que ajustes simples na dieta podem trazer benefícios rapidamente.

O desequilíbrio intestinal não se limita ao sistema digestivo. Quando a microbiota está desregulada, há um aumento na inflamação de baixo grau. Isso afeta a imunidade, pode gerar resistência à insulina e dificultar a perda de peso. Além disso, há uma conexão direta com o cérebro, e um intestino inflamado pode interferir na produção de neurotransmissores, impactando sintomas como ansiedade e compulsão alimentar.

A especialista reforça que o problema não está no consumo ocasional, mas na repetição. O consumo pontual não é o problema. A questão é quando os ultraprocessados se tornam a base da alimentação. A mudança de hábitos não precisa ser extrema para ser eficaz. O mais importante é organizar refeições, priorizar comida de verdade e reduzir a dependência de soluções prontas.

Substituições simples no dia a dia já ajudam a melhorar o ambiente intestinal. Troque refrigerante por água com gás e limão, biscoitos por frutas com aveia, embutidos por proteínas in natura como ovos, frango e carne, e pratos ultraprocessados por preparações caseiras simples.

Para a nutricionista, ainda há muita desinformação sobre o tema. Muitas pessoas acreditam que é possível compensar ultraprocessados com suplementos ou dietas da moda, mas isso não é verdade. E também acham que é apenas uma questão estética, quando estamos falando de saúde metabólica, intestinal e até mental.

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