
Marte em destaque no espaço, cenário para futuras missões tripuladas. (Foto: Instagram)
Junto com a Lua, Marte é um dos principais focos de exploração humana. Porém, a viagem ao planeta vermelho pode ter um acompanhante indesejado: os fungos. Cientistas, ao analisarem uma área da NASA usada para preparar missões, descobriram cepas de fungos mesmo após limpeza – uma delas mostrou alta resistência às condições de Marte.
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Não é raro que formas de vida "peguem carona" em missões espaciais. Contudo, medidas de descontaminação são tomadas para reduzir riscos. Atualmente, espaçonaves não podem ir a Marte com mais de 300 esporos microbianos por metro quadrado.
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Conforme o artigo 9 do Tratado do Espaço Exterior da ONU de 1967, viagens espaciais devem evitar a contaminação planetária. Para um dos autores do estudo, a descoberta do fungo resistente não significa que Marte será contaminado, mas ajuda a medir riscos e evitar possíveis acidentes. "Microrganismos podem ter uma resiliência extraordinária a estresses ambientais", afirma Kasthuri Venkateswaran.
A pesquisa foi liderada por Venkateswaran, microbiologista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, nos EUA. Os resultados foram divulgados na revista Applied and Environmental Microbiology na segunda-feira (20/4).
O estudo começou com a coleta de amostras em salas limpas da NASA, usadas durante o programa Mars de 2020, focado na exploração marciana. O objetivo era identificar esporos de fungos chamados conídios – 27 cepas foram encontradas mesmo em ambiente descontaminado.
Depois, as amostras foram testadas em condições extremas similares às de Marte, como radiação UV intensa, baixa pressão, frio extremo e poeira planetária, além da radiação cósmica durante a viagem. Entre elas, o Aspergillus calidoustus foi o único a resistir à radiação UV, ionizante e condições atmosféricas de Marte. O organismo só morreu após exposição prolongada à alta radiação combinada com frio extremo.
Apesar de não representarem um perigo imediato de contaminação, os pesquisadores recomendam que fungos não sejam ignorados. Espécies do gênero Aspergillus estão ligadas a doenças respiratórias. "Essas investigações ajudam a aprimorar as estratégias de proteção planetária da NASA e as abordagens de avaliação de risco microbiano para missões espaciais atuais e futuras", conclui Venkateswaran.


