
Fachada do Banco Master, um dos envolvidos na investigação sobre suposto esquema de ocultação patrimonial da Gafisa. (Foto: Instagram)
Em uma ação judicial referente a uma dívida de pouco mais de R$ 1 milhão da construtora Gafisa, uma herdeira do grupo Klabin, importante no setor de celulose, acusou a gestora Trustee de proteger o patrimônio da construtora. A Trustee está sob investigação da Polícia Federal no caso do Banco Master e pela Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo, que examina o uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
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A petição da família Klabin alega que o fundo Bergamo, administrado pela Trustee, fez parte de um esquema para proteger os interesses da Gafisa e de seu verdadeiro controlador, o investidor Nelson Tanure. Alega-se um suposto conluio entre Gafisa, Master e Trustee para simular garantias sobre as cotas do fundo Bergamo, tornando-as impenhoráveis perante outros credores.
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No processo, a herdeira destacou que a própria Trustee admitiu que a Gafisa é a única proprietária do fundo Bergamo. Os advogados anexaram a resposta da gestora em um caso em que a Polo Capital cobrava uma dívida de quase R$ 25 milhões da construtora.
Neste caso, a Trustee resistiu em transferir o recurso do fundo, alegando que os valores estavam alienados ao Master. Até que em junho de 2024, a Polo e a Gafisa chegaram a um acordo para resolver o débito.
“A exequente destaca que todos esses argumentos revelam uma complexa estrutura de ocultação patrimonial, criada maliciosamente pelas devedoras para evitar o cumprimento de suas obrigações”, afirma o processo. Pessoas próximas ao caso dizem que a estrutura foi criada pelo advogado Daniel Monteiro, preso recentemente pela PF, junto com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. O escritório dele entrou com embargos, representando o Master, afirmando que o fundo estava alienado fiduciariamente ao banco de Vorcaro.
Após quase dois anos de disputa, a herdeira da Klabin obteve decisão favorável do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, determinando a penhora de 5% do faturamento da Gafisa, até o limite de R$ 1,3 milhão, valor do débito, em outubro passado.
Em seu site, a Trustee declarou que “atua em estrita conformidade com a legislação aplicável e normas dos órgãos reguladores do mercado financeiro e de capitais, adotando as melhores práticas de compliance, gestão de riscos e governança”.


