
Urna eletrônica pronta para votação em seção eleitoral. (Foto: Instagram)
Três questões principais estão no centro das preocupações dos eleitores brasileiros e podem ser decisivas nas eleições de outubro. De acordo com especialistas consultados pelo Metrópoles, saúde, segurança pública e endividamento são temas que influenciarão a escolha do próximo presidente do Brasil.
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Pesquisas de opinião recentes destacam que esses temas são frequentemente mencionados como preocupações dos eleitores e já começam a aparecer nos discursos dos candidatos à presidência.
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Faltando menos de seis meses para as eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) já estão direcionando suas campanhas para abordar esses desafios identificados pela população.
Lula busca seu quarto mandato enfrentando um aumento na desaprovação, que cresceu em abril. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra um aumento na intenção de votos nas pesquisas.
Valdir Pucci observa que, apesar de os indicadores econômicos mostrarem melhora durante o governo Lula, a percepção da população é diferente. O governo está ciente dessa questão e está adotando medidas para tentar mudar essa visão.
Dados da pesquisa Genial/Quaest, divulgados na semana passada, indicam que a população percebe uma piora na economia do país. Segundo a pesquisa, 50% dos entrevistados veem uma piora econômica, enquanto apenas 21% notaram uma melhora no último ano.
Em entrevista ao programa Acorda, Metrópoles, o cientista político e CEO da Quaest, Filipe Nunes, destacou que essa percepção negativa é alimentada pelo aumento do endividamento e pelos gastos com jogos de azar online.
Especialistas apontam que o endividamento é um fator que agrava a percepção negativa da economia e pressiona o governo. Dados da Quaest mostram que o número de entrevistados com dívidas subiu de 65% para 72%.
“Esse endividamento está consumindo a renda e limitando o consumo dos brasileiros. Além disso, cerca de 30% das famílias estão gastando com apostas. Isso faz com que o consumo seja substituído por dívidas ou jogos, dificultando a percepção de bem-estar”, afirmou Nunes ao Metrópoles.
Nesse contexto, Pucci destaca que os índices econômicos serão um tema central na campanha de Lula e Flávio Bolsonaro, servindo de munição para ambos, pois Lula tem os números e Flávio tem a percepção popular.
“A sociedade sente que não houve melhora econômica, e Flávio aproveitará essa insatisfação para reforçar sua campanha”, comenta Valdir Pucci.
Nas eleições de 4 de outubro, os brasileiros votarão para presidente, vice-presidente, governador, dois senadores, deputados federais e distritais, no caso do DF. O cenário polarizado de 2022 deve se repetir, e o novo presidente provavelmente não será eleito com grande vantagem.
Analistas acreditam que temas como saúde, segurança pública e economia serão decisivos para o voto, pois afetam diretamente o cotidiano dos eleitores.
Para os analistas, a segurança pública também será um tema central. Valdir Pucci acredita que Flávio Bolsonaro liderará as discussões sobre segurança, um tema de interesse para políticos de direita.
Segundo pesquisa Datafolha, a segurança pública é vista como o maior problema do Brasil por 16% dos entrevistados.
“A sensação de insegurança será crucial nesta eleição, e Flávio Bolsonaro explorará essa pauta tradicional da direita”, avalia o cientista político.
A segurança pública sempre foi uma preocupação, mas ganhou destaque após os EUA expressarem interesse em classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas. Isso polarizou ainda mais o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O governo Lula é contra a medida, argumentando que poderia levar a uma intervenção norte-americana. Flávio Bolsonaro, por outro lado, apoia a classificação e critica Lula por não se opor.
Na última pesquisa Quaest, Felipe Nunes destacou o aumento da preocupação do eleitor com a saúde pública. Entre maio de 2025 e a pesquisa mais recente, houve um aumento de quatro pontos percentuais nessa preocupação.
Quando questionados sobre suas principais preocupações, a saúde pública aparece à frente da economia:
- Violência: 27% (estável)
- Corrupção: 19% (-1 p.p.)
- Problemas Sociais: 16% (-2 p.p.)
- Saúde: 14% (+1 p.p.)
- Economia: 9% (-1 p.p.)
- Educação: 7% (+1 p.p.)
Embora a saúde pública preocupe os eleitores, Pucci acredita que ela terá mais impacto nas eleições locais.
“O eleitor vê a saúde como uma questão local, cobrando mais prefeitos e governadores do que o governo federal. Já segurança e economia são vistos como problemas nacionais”, afirma o cientista político.
O presidente Lula parece se preparar para incluir a saúde em sua campanha. Nesta semana, o ministro da saúde Alexandre Padilha criticou Flávio Bolsonaro sobre a atuação de seu pai durante a pandemia.
Essas declarações indicam que a saúde pública pode ser um tema central na campanha do PT, enquanto Flávio Bolsonaro tenta se distanciar da imagem de seu pai e se apresentar como uma opção mais moderada.


