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Tragédia na BR-381: Minas Gerais tenta encerrar era da “Rodovia da Morte”

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Trecho sinuoso da BR-381 próximo ao distrito de Ravena, palco do acidente que matou o cinegrafista Rodrigo Lapa e deixou a repórter Alice Ribeiro em coma. (Foto: Instagram)

Belo Horizonte – A BR-381, que conecta Belo Horizonte a Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, é conhecida há décadas como a "Rodovia da Morte". O apelido se deve ao seu traçado sinuoso, pistas simples em grande parte do percurso, ausência de acostamento em vários trechos, manutenção precária, falta de iluminação e sinalização inadequada.

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Na quarta-feira, 15 de abril, quando as máquinas finalmente começaram a tão aguardada duplicação de um dos trechos mais perigosos da BR-381, a "Rodovia da Morte" fez mais uma vítima.

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O cinegrafista Rodrigo Lapa, de 50 anos, faleceu no local, e a repórter Alice Ribeiro, de 35 anos — que havia retornado de licença-maternidade há apenas dois meses — ficou gravemente ferida após uma colisão frontal entre o carro da Band Minas e um caminhão. Alice está em coma no Hospital de Pronto Socorro João XVIII, no centro de Belo Horizonte.

O acidente ocorreu por volta das 12h45 dessa quarta-feira (15), no km 438, próximo ao distrito de Ravena, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte — exatamente onde o DNIT iniciou as obras do Lote 8A (km 422,4 a 440,4).

Minutos antes, a dupla fazia uma entrada ao vivo para o Band Cidade sobre os perigos da estrada e o início das obras de duplicação.

Os números da "Rodovia da Morte" são alarmantes. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelam que, entre 2018 e 2023, ocorreram 3.960 acidentes no trecho, com 420 mortes. Somente no primeiro semestre de 2025, a BR-381 registrou 74 mortes — o maior índice entre as rodovias federais de Minas Gerais.

O Guia CNT de Segurança nas Rodovias 2026 destaca que a BR-381 é a mais perigosa em Minas, com 2.843 acidentes e 158 mortes em 12 meses. O trecho mais crítico fica entre os km 430 e 440, onde ocorreu o acidente desta quarta-feira (15), com 58 ocorrências e 10 mortes em apenas 10 km.

Há anos, a população clama por uma solução para o trecho perigoso. Em 2024, o Ministério dos Transportes finalizou o leilão de concessão de 296,3 km da BR-381 (de BH a Governador Valadares) para a 4UM Investimentos, com previsão de R$ 9,34 bilhões em investimentos, duplicação de 106 km, 83 km de faixas adicionais, 51 correções de traçado, áreas de escape, pontos de parada para caminhoneiros e 23 passarelas.

Contudo, o trecho metropolitano mais crítico (BH a Caeté) ficou sob responsabilidade do DNIT. Em 30 de março de 2026, o governo federal autorizou o Lote 8A — 18 km entre Caeté e Ravena (Sabará), com investimento de R$ 405 milhões. As obras, que incluem viadutos, passarelas, ponte e passagens inferiores, começaram em 15 de abril de 2026, com previsão de término no primeiro semestre de 2028.

É uma ironia trágica: a equipe da Band Minas estava lá para registrar o início dessa nova fase — o dia em que a “Rodovia da Morte” deveria começar a se transformar em “Rodovia da Vida”.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou em entrevista à Rádio Itatiaia e ao jornal O Tempo que o carro de passeio invadiu a contramão. O agente Flávio Marques, que chegou logo após o acidente, relatou que o veículo de passeio entrou na contramão e, pelas marcas no asfalto, o caminhão tentou desviar, mas não conseguiu. “Possivelmente o motorista do Voyage branco passou mal ou cochilou”, afirmou.

O motorista do caminhão contou à imprensa que havia acabado de sair de uma curva. “Vi o carro na contramão e joguei para o acostamento. Ele continuou vindo e colidiu. Tentei frear, fiz o que pude, mas não teve jeito”. O passageiro do caminhão relatou que tudo aconteceu em uma fração de segundos.

"Depois da curva, na reta, o carro invadiu. Tentamos ajudar. A moça estava presa nas ferragens, falando. O rapaz já estava sem reação. O resgate demorou 40 minutos tentando reanimá-lo".

Alice Ribeiro foi estabilizada pela concessionária Nova 381 e transportada pelo helicóptero Arcanjo, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, ao HPS. A rodovia ficou interditada nos dois sentidos durante o resgate e a perícia.

A Band Minas lamentou o ocorrido e informou que está prestando assistência às famílias. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) expressou pesar e solidariedade.

O governador Mateus Simões escreveu no X: “Pela minha história pessoal, essa dor me toca de forma ainda mais profunda. Minhas orações estão com as vítimas e seus familiares”. A Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom) destacou o reconhecimento ao trabalho dos jornalistas e desejou recuperação a Alice Ribeiro. Jornalistas, colegas de Alice e Rodrigo, manifestaram apoio às famílias e orações nas redes sociais.

Enquanto as investigações da PRF continuam, o acidente de hoje serve como um doloroso lembrete: mesmo no dia em que as obras começaram, a BR-381 ainda cobra um preço alto. A duplicação prometida é a esperança concreta de que, em alguns anos, histórias como a de Rodrigo Lapa, Alice Ribeiro e de centenas de famílias mineiras deixem de se repetir.

A Rodovia da Morte ainda não morreu. Mas, as máquinas agora estão trabalhando para tentar enterrar esse capítulo de vez.

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