
Equipe de descontaminação em ferro-velho de Goiânia – Emergência Radioativa (Netflix) (Foto: Instagram)
O lançamento da minissérie Emergência Radioativa, pela Netflix, trouxe novamente à tona o trágico acidente radiológico do césio-137 em Goiânia (GO), destacando as histórias reais das vítimas e sobreviventes, mesmo após quase quatro décadas.
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Nas redes sociais, a neta de um engenheiro do Programa Nuclear Brasileiro, que participou da identificação do material radioativo, compartilhou detalhes inéditos sobre a resposta das autoridades goianas à contaminação.
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Ela revelou que foi graças ao seu avô, Sebastião Maia de Andrade, gerente da Nucleobrás, que a Vigilância Sanitária obteve o dispositivo necessário para medir a radiação.
No relato, ela explica que o equipamento disponibilizado pelo engenheiro nuclear permitiu que as autoridades medissem a radiação em pessoas e locais contaminados pela cápsula encontrada no ferro-velho.
Na publicação, ela compartilhou um telegrama da época que detalha como o aparelho da estatal foi crucial para confirmar a radiação da cápsula descartada de forma inadequada no ferro-velho.
“Fui procurado por dois funcionários da saúde e um físico, Walter, que solicitaram o empréstimo do aparelho para medir radioatividade”, relatou.
“Ao me aproximar do local da radiação, a cerca de 100 metros da casa onde estava a peça contaminada, a radioatividade detectada pelo cintilômetro spp 2 foi superior a 15 mil CPS, e assim, informei aos funcionários que medidas imediatas precisavam ser tomadas”, contou o engenheiro.
Duas horas e meia depois, a área foi isolada pelas autoridades. No dia seguinte, técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) já estavam no local realizando testes e medidas preventivas.
“Foi meu avô quem primeiro contatou a Comissão Nacional de Energia Nuclear. Ele foi essencial na resposta oficial ao maior acidente radiológico do Brasil”, destacou.
“Histórias como essa não podem ser esquecidas. A verdade também é memória”, concluiu.
Após o acidente com o césio-137 em 1987, mais de 112 mil pessoas foram monitoradas, segundo informações oficiais. No total, 249 apresentaram sinais de contaminação, e 129 necessitaram de acompanhamento médico.
Dentre as vítimas, quatro morreram devido ao contato direto com a radiação, enquanto outras faleceram anos depois em decorrência das sequelas físicas e psicológicas.
A série Emergência Radioativa, lançada pela Netflix em 18 de março, utiliza as histórias reais das vítimas e sobreviventes do incidente como base para a narrativa ficcional.
O personagem principal, Márcio, interpretado por Johnny Massaro, representa diversos cientistas que atuaram no combate à contaminação, como o físico Walter Mendes Ferreira, um dos primeiros a identificar a radiação.


