A atriz capixaba Raiza Noah, integrante do elenco do telefilme “É Quase Verdade”, exibido no Cine BBB, enfrentou recentemente um dos momentos mais difíceis de sua vida.
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No filme, que também será exibido na Tela Quente, Raiza interpreta Clarice, professora de História e melhor amiga da protagonista, o que consolidou sua projeção nacional. Fora das telas, porém, ela enfrentou uma realidade muito diferente.
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Conhecida pelo humor nas redes sociais, onde possui centenas de milhares de seguidores e milhões de visualizações, a artista revelou que precisou interromper a carreira devido a complicações graves de uma doença ginecológica: “Achei que fosse só mais uma dor que a gente aprende a aguentar, mas meu corpo estava pedindo socorro”, relembrou ao falar sobre o início dos sintomas.
O DIAGNÓSTICO
Aos 27 anos, Raiza Noah foi diagnosticada com miomatose uterina, após perceber dores menstruais intensas e um fluxo muito acima do normal. Mesmo sob acompanhamento médico, o quadro evoluiu rapidamente, com o aparecimento de múltiplos miomas em diferentes partes do útero, alguns com alta vascularização, o que inicialmente levantou suspeitas mais graves.
De acordo com o ginecologista César Patez, quadros como esse requerem atenção imediata: “Miomas são tumores benignos do músculo uterino e não têm relação direta com câncer. No entanto, quando crescem rapidamente, causam dor intensa, sangramentos significativos e podem comprometer seriamente a fertilidade. Não existe cura definitiva sem cirurgia, mas há controle clínico e cirúrgico eficaz quando o diagnóstico é precoce”, explicou.
PROCEDIMENTOS
A atriz passou por três procedimentos, incluindo histeroscopias e embolização uterina. Mesmo assim, os miomas voltaram a crescer, causando crises frequentes de dor, hemorragias e episódios de anemia. A situação levou a atriz a sucessivas idas ao hospital e à possibilidade real de perder o útero, o que impactou diretamente seus planos pessoais.
Diante da instabilidade do quadro e das incertezas sobre a fertilidade, aos 32 anos ela optou pelo congelamento de óvulos. O procedimento, no entanto, desencadeou uma complicação rara, a síndrome de hiperestimulação ovariana grave. Durante o processo, houve acúmulo significativo de líquido no organismo, levando a um quadro de emergência.
Ela ficou cerca de 9 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), precisou drenar quase dois litros de líquido abdominal e ainda desenvolveu um derrame pleural, com comprometimento respiratório. O episódio ocorreu durante as festas de fim de ano: “Se eu tivesse demorado mais um dia para procurar ajuda, poderia ter sido muito pior”, relatou.
SAÚDE REPRODUTIVA
O caso da artista também dialoga com um cenário mais amplo sobre saúde reprodutiva. Para o ginecologista Vinícius Araújo, há uma mudança significativa nos padrões de fertilidade nas últimas décadas.
“Os dados são claros em mostrar que a fertilidade vem diminuindo ao longo do tempo. Estilo de vida, fatores ambientais, adiamento da maternidade e doenças como miomas e endometriose impactam diretamente esse cenário”, afirmou.
HÁBITOS INFLUENCIAM
Ele reforçou, ainda, que o acompanhamento deve ser individualizado: “Mulheres acima dos 35 anos devem buscar avaliação após seis meses de tentativa para engravidar. Já pacientes com doenças ginecológicas devem investigar antes mesmo de iniciar esse processo. Exames hormonais e avaliação da reserva ovariana são fundamentais”, orientou.
Outro ponto essencial, segundo o especialista, é o estilo de vida. Hábitos como alimentação equilibrada, prática de atividade física e controle de fatores de risco influenciam diretamente a saúde hormonal e reprodutiva.
AVANÇOS NO ATENDIMENTO
Já o ginecologista Igor Chiminacio destacou avanços no entendimento de doenças como a endometriose, frequentemente associada a quadros semelhantes: “Hoje sabemos que a endometriose tem origem ainda na fase embrionária. Os focos podem permanecer silenciosos por anos e se manifestar ao longo da vida reprodutiva. Compreender esse mecanismo permite tratamentos mais eficazes, com redução de dor e melhora na fertilidade”, esclareceu.
Atualmente em recuperação, Raiza Noah retomou a rotina de forma gradual e segue em acompanhamento médico, incluindo fisioterapia respiratória. Ao compartilhar sua história, ela levantou um alerta importante sobre a normalização da dor feminina: “Sangrar muito e sentir dor não é normal”, desabafou.
O relato da atriz transforma uma experiência pessoal em um chamado coletivo para que mulheres estejam atentas aos sinais do próprio corpo e busquem ajuda especializada o quanto antes.


