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Argentina acusada de injúria racial afirma que Brasil a usou como exemplo

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Agostina Páez ao desembarcar em Buenos Aires após 75 dias detida no Rio de Janeiro (Foto: Instagram)

A argentina Agostina Páez, de 29 anos, voltou a Buenos Aires nesta quinta-feira (2/4) após passar 75 dias detida no Rio de Janeiro por injúria racial. Acusada de fazer gestos racistas imitando macacos e de insultar funcionários de um bar em Ipanema, o incidente ocorreu em 14 de janeiro.

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Em entrevista ao jornal Clarín, a advogada e influenciadora avaliou sua detenção no Brasil, afirmando que foi tratada "com muita dureza". "Não sei se foi por ser argentina ou por causa do meu perfil, mas foram rigorosos comigo. Cometi um erro, reconheço. Mas estou quase convencida de que queriam me usar como exemplo", declarou.

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Durante a entrevista, Agostina descreveu o caso como um ponto de virada em sua vida e destacou que nada será como antes "dessa experiência tão difícil". "Meu erro me ensinou uma lição, com seus aspectos positivos e negativos. Mas aprendemos com nossas lições, e tenho certeza de que, daqui para frente, serei uma pessoa diferente, melhor, com uma visão ampliada. Mais ponderada, menos impulsiva", afirmou.

Ela também expressou ansiedade em retomar sua rotina, especialmente por sua saúde mental. "Preciso trabalhar, ter uma renda. Houve muitas perdas de todos os tipos nesse período. Espero conseguir retomar na próxima semana", disse.

Agostina deixou o Brasil em direção à Argentina na quarta-feira (1º/4), após pagar uma caução de R$ 97 mil, o equivalente a 60 salários mínimos. O valor corresponde à metade do montante proposto pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Em audiência realizada em 24 de março, o órgão pediu o pagamento de cerca de R$ 194 mil (200 salários mínimos) como indenização aos três funcionários do bar. Para deixar o país, ela precisou pagar metade desse valor.

Apesar de já estar na Argentina, o processo segue em tramitação e avança para a fase de alegações finais da acusação e da defesa antes da sentença. O desembargador Luciano Silva Barreto determinou que Agostina mantenha endereço e telefone atualizados junto à Justiça brasileira.

A mulher foi indiciada pela 11ª Delegacia de Polícia e chegou a ser presa em 6 de fevereiro, após a 37ª Vara Criminal aceitar denúncia do MPRJ. Ela, no entanto, foi solta no mesmo dia. Até deixar o Brasil, permaneceu sob monitoramento com tornozeleira eletrônica.

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