
Placa da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) no interior do prédio. (Foto: Instagram)
A decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) de anular a eleição que havia colocado Douglas Ruas (PL) na presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) abriu espaço para a oposição articular um novo candidato ao comando da Casa. A eleição foi condicionada à substituição de Rodrigo Bacellar (União), cujo mandato foi cassado.
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Ruas foi eleito no dia 26 de março, sem concorrência, em uma manobra do grupo que controla a Alerj para mantê-lo na linha sucessória do estado. No entanto, a votação foi invalidada pelo TJRJ, que declarou que a eleição só poderia ocorrer após a definição do substituto de Bacellar, que perdeu o mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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A Justiça Eleitoral já indicou Carlos Augusto (PL) para assumir a vaga deixada por Bacellar, mas a oficialização depende de trâmites burocráticos que devem ser concluídos até 14 de abril. Enquanto isso, a oposição vê uma oportunidade para organizar uma candidatura contra Ruas.
Na eleição anulada, a oposição boicotou e Ruas recebeu 45 votos. Agora, a estratégia mudou, com governistas decidindo participar da disputa, acreditando em possíveis dissidências na base governista.
Dois nomes ganharam destaque nas discussões: Vitor Júnior (PDT) e Rosenverg Reis (MDB). Vitor Júnior foi mencionado em reunião com parlamentares de PT, PDT, PSOL, PCdoB, PSB e PSD, enquanto Rosenverg se ofereceu a lideranças do MDB e PSD. As negociações devem prosseguir nos próximos dias, com parlamentares planejando levar o debate ao ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que é pré-candidato ao governo estadual.
Vitor Júnior está em seu primeiro mandato como deputado estadual e tem experiência política em Niterói, onde foi vereador e ocupou cargos na prefeitura. Rosenverg Reis, em seu quarto mandato na Alerj, comanda a primeira-secretaria da Casa e tem base eleitoral na Baixada Fluminense. Ele é irmão de Jane Reis, pré-candidata a vice-governadora na chapa de Paes.
A PRESIDÊNCIA DA ALERJ NA SUCESSÃO ESTADUAL
- O Rio enfrenta um impasse na linha sucessória: Cláudio Castro (governador) e Thiago Pampolha (vice) renunciaram.
- Pela regra, o presidente da Alerj é o próximo na sucessão, mas o posto está vago após a cassação de Rodrigo Bacellar.
- Com a vacância, o comando do estado passou interinamente ao presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto.
- Quem assumir a presidência da Alerj passa a ser o primeiro na linha e pode chegar ao governo de forma imediata.
- O cargo abre a possibilidade de comandar o estado até a eleição que definirá o governador-tampão.
- Estar no posto também garante protagonismo na condução do processo de transição e para ampliar o capital eleitoral para 2026.
VOTO SECRETO
Paralelamente às articulações, o PDT entrou na Justiça pedindo que a eleição para a presidência da Alerj seja por voto secreto, sem identificação dos parlamentares. O regimento interno da Casa prevê votação aberta, com registro público dos votos.
Na ação, o partido argumenta que o modelo atual expõe deputados a pressões e pode gerar “coação e retaliação”. Segundo a sigla, o formato também “distorce a vontade dos parlamentares e cria incentivos para perseguições e alinhamentos forçados”.
O pedido será analisado pela desembargadora Suely Magalhães, vice-presidente do TJRJ e responsável por anular a eleição anterior. Em decisão publicada no dia 1°, a desembargadora indicou que pedidos do gênero somente poderão ser apreciados após os procedimentos para substituição de Bacellar e a oitiva da Alerj.
“Com a impossibilidade de realização da eleição para a Presidência da Assembleia Legislativa até a homologação definitiva do resultado da retotalização de votos pelo Plenário do Tribunal Regional Eleitoral, haja vista a decisão liminar, afigura-se desnecessária a apreciação inaudita altera parte do pleito liminar”, escreveu Suely Magalhães. Nos bastidores, parlamentares avaliam que a eventual adoção do voto secreto pode favorecer a oposição. “Há relatos de pressão para votar em Ruas. Se fosse secreto, os colegas teriam mais conforto para votar em quem quiserem”, disse um deputado, que pediu para não ser identificado.


