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Páscoa: descubra se o chocolate pode sobrecarregar o fígado

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Ovos de chocolate recheados com confeitos coloridos, destaque doce da Páscoa que reforça o consumo exagerado de açúcar. (Foto: Instagram)

A chegada da Páscoa traz consigo a abundância de ovos de chocolate e bombons, tornando a data o período mais doce do ano. Contudo, muitos consumidores não percebem que o fígado, órgão responsável pela metabolização de substâncias no corpo, é o primeiro a sentir os efeitos dos excessos. O consumo intenso de produtos ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras saturadas, pode causar um esforço metabólico maior que o habitual, alertando para doenças silenciosas.

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ENTENDA
O fígado precisa processar todo o açúcar e gordura ingeridos, e o excesso de chocolate industrializado exige um trabalho dobrado do órgão. O consumo elevado de açúcar estimula a lipogênese hepática, processo que gera o acúmulo de gordura nas células do fígado. A gordura saturada presente nos doces piora a resistência à insulina, favorecendo inflamações que podem evoluir para doenças graves. Crianças são especialmente vulneráveis, com a prevalência de gordura no fígado atingindo até 50% entre as obesas.

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De acordo com Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, o corpo geralmente tolera bem exageros pontuais, mas o perigo está na frequência ou intensidade do consumo. "O consumo de açúcar em grandes quantidades estimula a produção de gordura dentro do próprio fígado", explica o especialista.

A evolução desses quadros pode ser severa. A esteatose hepática, se não monitorada, pode progredir para inflamações avançadas. Dados da Faculdade de Medicina da USP indicam que, no Brasil, entre 12% e 40% dos pacientes com esteatose simples podem desenvolver fibrose em um período de oito a 13 anos. Destes, cerca de 15% podem evoluir para cirrose e até câncer hepático.

Atualmente, a situação epidemiológica no Brasil é preocupante. Estima-se que entre 30% e 35% da população adulta sofra com gordura no fígado, índice ainda mais elevado em pacientes com diabetes tipo 2, obesidade ou síndrome metabólica.

ATENÇÃO AOS SINTOMAS E SINAIS CORPORAIS
Como o fígado é um órgão “silencioso”, a esteatose raramente apresenta sintomas claros em estágios iniciais. Contudo, Lucas Nacif aponta sinais indiretos que devem ser observados após o feriado: cansaço persistente, sensação de peso pós-refeição, desconforto na região direita do abdômen, acúmulo de gordura abdominal e alterações em exames de sangue (enzimas TGO e TGP elevadas).

“Se a pessoa termina a Páscoa sentindo aquele cansaço exagerado, barriga inchada e digestão pesada por dias, vale uma conversa com o médico e talvez um exame de imagem”, orienta o cirurgião. O cuidado precoce é a melhor estratégia para evitar que o prazer momentâneo do chocolate se torne um problema crônico de saúde.

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